O fim da política tapa buraco

April 5th, 2012 No comments

Após 8 anos de bons ventos, uma grave crise e uma mudança no cenário econômico mundial, o Brasil finalmente começa a sentir efeitos de uma política mais forte e presente, pensando na economia em longo prazo e não somente no curto prazo como vem sendo feito em praticamente todo o governo Lula e agora se repete no governo Dilma.

Após um considerável aumento de renda (fruto de um sucedido programa de distribuição de renda) e considerável aumento do crédito, a economia brasileira teve um boom enorme no consumo, o que de fato contribuiu bastante com o crescimento de nossa economia nesses últimos anos, notamos também nesses anos uma forte valorização do Real frente ao dólar, motivado pelo elevado consumo de commodities na Ásia em especial pelos chineses, e recentemente sobre uma breve guerra cambial entre os países desenvolvidos hoje em crise.

Essa valorização cambial provocou um cenário parecido com o ocorrido em 1994 no governo FHC na implantação do plano Real e adoção do cambio paralelo dólar x Real, naquela época um impacto maior e hoje um impacto menor, porém um impacto que poderia ter sido evitado, esse impacto é a competitividade que o produto industrial brasileiro tem perante aos demais, porém ao contrario do que se diz por ai, a diferença não é só por questões tecnológicas, onde nós claro somos inferiores, mas essa diferença ao meu modo de ver vai muito além, ela se passa por falhas de políticas passadas e atual e principalmente sobre o custo Brasil, temos em comparação aos nossos concorrentes, a maior carga tributária (agora querem por goela abaixo esse novo plano de redução do INSS de incríveis 22% para 2%) somente para a indústria, nosso país sem duvidas é o que tem o maior custo de transporte, tem o maior custo trabalhista, por excesso de encargos e especialmente por falta de mão de obra, e mesmo assim ainda vemos política de corte de gastos na educação, ainda assim querem inventar novos tributos, ainda assim aumentam a alíquota existente, ainda assim tentam nos enganar com declarações banais no radio e na TV, porém esse tipo de política parece mostrar próximo do fim, conforme mostrou matéria do jornal Valor Econômico da ultima sexta feira, e uma crise no consumo pode ser fatal para a nossa economia, visto que o mercado chinês também não é mais o mesmo, portanto veremos até quando irá durar o populismo quando faltar o principal no bolso dos brasileiros, e quando faltar o amor acaba e ai sim iremos chorar sobre o leite derramado, é brasileiros, quando iremos aprender?

UPA 24h – Unidade de Pronto Atendimento

February 12th, 2012 2 comments

UPA 24h

UPA 24h: Unidade de Pronto Atendimento

Quinta-feira, dia 09/02/2012 às 11h30, a senhora idosa que trabalha aqui em casa se corta com uma faca de serra ao estar trabalhando na cozinha, um corte um tanto fundo, no dedão esquerdo.

Fui à rua buscar um táxi para nos levar até uma unidade que pudesse resolver o problema da senhora, suturar, passar os remédios cabíveis, etc, pergunto a senhora se esta possui plano de saúde, ela diz que sim, mas que o tal plano só vale para o município de Nova Iguaçu, onde a mesma mora, logo desisti da primeira idéia de levá-la ao hospital das clínicas e rumei à UPA 24h da taquara, depois de pegar um trânsito daqueles, chegamos lá, quando entrei na unidade me surpreendi com o ar condicionado, a organização aparente, etc, pensei comigo mesmo, “nossa, excelente”, eis que vem o primeiro problema do dia, uma funcionaria que se sentava a porta da UPA faz um reconhecimento rápido do corte da senhora e diz para ela que necessitaria de 5 pontos de sutura no dedo para ficar tudo bem, ela me diz que vai verificar a disponibilidade de linha de sutura, passados 2min ela volta com a informação de que não tem linha de sutura para fazer o procedimento, que a única linha de sutura que ali existe é muito grossa para aquele tipo de corte, o senhor que ficava na recepção nos diz que poderiamos nos encaminhar para a UPA da Cidade de Deus ou da Praça Seca;

Aqui fica a minha primeira pergunta: Uma vez que uma UPA recebe um paciente com um corte um tanto fundo, uma senhora de idade, considera esse caso um caso amarelo, ou seja, de prioridade, não seria obrigação da UPA encaminhar o paciente para a próxima UPA ou hospital se a mesma não tem condições de atender o paciente?

Ok, fomos a UPA da Cidade de Deus, lá chegando, já percebi que é uma unidade que fica mais cheia, provavelmente pelo nível social das pessoas que ali vivem, ser menor, logo, necessitam mais do serviço, fomos atendidos rapidamente, fomos a uma sala chamada de Classificação de Risco, lá a mulher designou o caso como de prioridade (classificação amarela), nos encaminhou para a recepção e de lá depois de colher os dados necessários fomos direcionados a sala de espera para o “pronto-atendimento”; desde a nossa chegada a UPA da Cidade de Deus até o encaminhamento para a sala de espera, não decorreram sequer 2min, algo espetacular, me surpreendi, mas mal sabia eu que era só ali que a coisa ia rápido.

Chegando a sala de espera percebi a quantidade de pessoas aguardando atendimento, eram mais de 50 pessoas numa sala, algumas já aguardando fazia um tempo, mas nenhuma com uma classificação de prioridade como a da senhora que eu acompanhava, então mais uma vez ingenuamente, pensei,” vai ser rápido, em 10min já estaremos voltando para a casa com tudo resolvido”, GRAVE ENGANO, passaram-se 20min antes de eu reclamar pela primeira vez, fui à recepcionista e falei que estavamos esperando já havia um tempo e que ninguém havia aparecido para abrir a sala de sutura e tratar da paciente, a tal comentou com a colega ao lado que achava estranho uma vez que era “caso amarelo” e ligou para a enfermeira, para que esta tratasse do atendimento, voltei a esperar, passados mais 15min, nada da tal enfermeira aparecer, fui a recepcionista novamente e falei, ela me disse que já havia informado a enfermeira, disse que a enfermeira havia inclusive passado lá agora pouco para deixar uns exames e que já ia atender a senhora que eu acompanhava, mais 15min se passaram, abri a porta de uma médica que estava desocupada e falei do caso, a mesma falou que precisava da enfermeira para abrir a sala de sutura, e que após isso ela mesma faria o atendimento, e nada da enfermeira aparecer, procurei a assistente social que deveria estar na unidade para tratar de mals tratos como este que aqui vos relato, pois já se passaram, façam as contas, quase 1h desde que chegamos a UPA da Cidade de Deus, sem contar com o tempo levado na UPA taquara, somando tudo deveriamos estar a mais de 1h40min aguardando atendimento.

Fui a recepcionista mais uma vez reclamar, inclusive afirmando que estavam negando atendimento a senhora, que isso era caso de negligência, etc, a mesma, despreocupadamente, me informou que não poderia parar seu trabalho e me mandou procurar a assistente social, esta que eu já havia procurado anteriormente e a informei que ela não se encontrava lá, a recepcionista apenas abriu um sorriso tímido, com vergonha, e não deu a mínima. Por sorte, um médico estava passando pelo corredor quando voltei a sala de espera para aguardar junto a senhora que eu acompanhava, o parei, pedi sua ajuda e consulta com a senhora, ele abriu a sala de sutura, sim, a sala estava aberta a quem quisesse entrar, e em 5min resolveu o problema, com um detalhe, a senhora estava a tanto tempo segurando o dedo, fechando o corte, que não precisou sequer de sutura. A enfermeira que deveria aparecer ? Nunca a conheci.

Primeira lição, sempre tenha um plano de saúde, por mais que médicos de plano, te tratem com aspereza, com rapidez, sem a devida atenção prestada, ao menos te atendem sem muita delonga.

Segunda lição, nunca AGUARDE atendimento em caso grave, o funcionário público sempre acha que está ali te fazendo um favor e demora o tempo que achar necessário.

Terceira lição, quando for encaminhado rápidamente de uma sala de espera para a outra, lembre-se que só estou empurrando de um lado para o outro, para dar a sensação de que o atendimento será rápido, quando na verdade, vai demorar um bocado.

Resumo: Se não ficasse para lá e para cá na UPA correndo atrás de médico, enfermeira, recepcionista, etc, provavelmente teríamos voltado para casa sem que a senhora tivesse sido atendida.

Fico imaginando que, se com a UPA é assim imagine sem a UPA, vi muitas pessoas na UPA que não necessitavam estar ali, falta uma cartilha de informações para a população, ensinando a mesma a que lugar se dirigir em cada caso especifico, e se realmente um espirro ou uma tosse de 2 dias precisa ser verificada por um médico. Vejo filas e mais filas de espera em hospitais públicos, UPAs e Postos de Saúde formadas por pessoas que não necessitam de atendimento médico e sim de um bom paracetamol, líquido e cama.

Aproveito o relato, para levantar um asssunto polêmico: Privatização da rede pública de saúde.

Sugestão: Nesse caso utópico o governo privatizaria todos seus hospitais e unidades de atendimento ligadas a saúde.

Como proveríamos um atendimento de qualidade, e igual a todos? Simples, o governo ao invés de bancar todos os hospitais, criaria um plano de saúde, plano de saúde este que seria fornecido apenas as pessoas que não possuem  riquezas suficientes para pagarem um plano de saúde particular.

Quais os benefícios de adotar uma política deste tipo ? Os gastos governamentais seriam diminuidos consideravelmente, pois um custo de hospital é certamente muito mais caro do que um custo de plano de saúde, não é a toa que a UNIMED gasta a toa com time de futebol e continua milionária. Haveria também uma qualidade maior no atendimento aos pacientes, pois o hospital sendo particular, sabemos que os funcionários não teriam aquela famosa tranquilidade, pois a qualquer momento seriam demitidos, entre outras diversas vantagens.

Quais as desvantagens ? Uma possível desvantagem nas negociações com os hospitais e médicos para a aceitação do tal plano de saúde do governo, podendo haver algum dinheiro gasto com subsídios para os tais.

É só uma ídeia que tive faz algum tempo, prometo voltar aqui para discursar melhor sobre tal idéia, e convido os leitores a procurarem saber se este tipo de abordagem existe em algum outro lugar no mundo, e como isso funciona, vale a pena.

Licença Creative Commons
O trabalho UPA 24h: Unidade de Pronto Atendimento de Leonardo de Castro Monteiro foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em www.caelis.blog.br.

Mobilidade no Brasil

January 16th, 2012 1 comment

Trânsito em São Paulo

As principais capitais do Brasil, principalmente São Paulo, sofrem com a mobilidade desde a década de 80. Um dos principais motivos para esse problema foi o prioridade dada ao automóvel como meio de transporte cotidiano, são sempre construídas novas estradas e alargadas as existentes e em raras exceções vemos investimentos em outros transportes coletivos.

Na cidade de Natal, um dos principais projetos do PAC para a copa de 2014 será a transformação da Avenida Roberto Freire em uma via expressa, com cinco faixas de rolamento. Nele, não há nenhuma referência à ciclovia ou a transportes coletivos como BRT ou VLT, é apenas previsto mais faixas para o mesmo tipo de tráfego: o de automóveis, isto define uma clara opção preferencial por parte do governo: o transporte motorizado individual. Nenhuma prioridade a transportes alternativos como a bicicleta e a transportes de massa, ônibus, trens, BRT’s VLT’s. Enquanto a cidade de Curitiba, mostra que o transporte coletivo é uma boa alternativa, já que o seu BRT tem obtido sucesso, Natal resolve seguir o exemplo de São Paulo, onde o engarrafamento toma conta da cidade.

O Rio de Janeiro agora ao menos tenta implantar novas formas de transporte coletivo, mas, os projetos são equivocados, a expansão do metrô, por exemplo, ao invés de serem criadas novas linhas e novos trajetos, é feita e expansão em uma única linha contínua e apenas troca de nome no percurso, e mesmo as novas estações da Barra e São Conrado vão continuar seguindo na mesma linha.

Também está previsto a implantação de um BRT no Rio de Janeiro, integrando os bairros da Barra da Tijuca, Guaratiba e Santa Cruz. É uma boa opção por se tratar de uma alternativa aos carros, mas deve ser pensado na integração do planejamento urbano da cidade com o seu sistema de transporte. A própria Barra da Tijuca é um exemplo, no planejamento urbanístico não foi agregado um transporte coletivo eficiente, que acabou gerando o congestionamento precoce das vias. Com a especulação imobiliária que provavelmente ocorrerá na área de Guaratiba, deve se tomar o cuidado para não ocorrer o mesmo problema.

Como se pode notar, em nenhum projeto citado é previsto a criação de ciclovias. Faltam projetos para as bicicletas, pois para as pessoas que usam, é difícil à locomoção por não ter espaço e também pela falta de respeito no trânsito com os ciclistas. Seria uma boa opção a criação de novas alternativas para os ciclistas assim como campanhas de conscientização para o uso da bicicleta e até mesmo para o respeito com os ciclistas, que apesar de as pessoas acharem que as bicicletas são usadas como lazer, 83% dos usuários as usam como meio de transporte.

O Brasil poderia seguir o bom exemplo de um país bem próximo, o Chile, onde Santiago mostra um bom exemplo de integração de transporte com o projeto urbanístico da cidade. As calçadas são planejadas para que os ciclistas e pedestres andem juntos, mas sem que causem problemas entre si. Existem três linhas de metrô que convergem no centro da cidade e que dão acesso a mais duas, que tornam as viagens práticas e rápidas. O próprio automóvel não incomoda tanto, já que as ruas também são bem planejadas para seu uso, e o respeito dos motoristas e pedestres contribuem para o bom funcionamento do transporte na cidade chilena.

Sendo assim, não por acaso o tema da mobilidade no Brasil se resume como congestionamento, graças a nossa política de circulação pelas de ampliação física e modernização da gestão do sistema viário, em detrimento da ampliação e modernização dos transportes coletivos. Mais alargamento de avenidas, mais túneis e viadutos, mais radares e lombadas eletrônicas e nada de um modelo de transporte coletivo integrado, confortável e barato.

Os Desafios do Novo Governo

January 13th, 2011 1 comment

Após 8 anos de governo Lula, finalmente será iniciado um novo governo no Brasil. Apesar de ser do mesmo partido e uma indicação de Lula, a atual presidente do Brasil Dilma Roussef terá inúmeros problemas a resolver nos 4 anos que estão por vir, um dos principais será fazer um governo com sua cara e semelhança, e isso não será nada fácil, devido a grande popularidade de seu antecessor. Lula certamente será sua sombra principalmente no inicio de seu trabalho.

Fernando Henrique ficou marcado como o presidente que trouxe a estabilidade e as bases da economia atual ao país, Lula ficou marcado pela sua luta pelas questões sociais e principalmente na luta contra desigualdade no país. Dilma poderá ficar marcada como o presidente que diminuiu a burocracia, que diminuiu os juros, que melhorou a educação e a saúde, ou mais do que isso, ela pode ser marcada como o presidente que teve peito e coragem para enfrentar a todos e promover a reforma tributária e política.

De fato a reforma tributária é a de maior importância, principalmente para um governo que tem como meta, alcançar 2% de taxa de juros reais, mantendo o crescimento atual, em torno dos 5% sem deixar a inflação passar da meta do governo, que gira em torno dos 4,5%. De fato é um desafio muito grande, baixar os juros a esse patamar, claro não será feito a curto prazo, mas para que isso possa acontecer, Dilma terá que suar muito a camisa. O primeiro desafio será diminuir os gastos públicos, excessivamente altos, porém ela de cara já encontra uma barreira forte no governo, o ministro da fazenda Guido Mantega é um defensor ferrenho do crescimento econômico via gastos do governo, ele não deixa de estar errado, porém deve-se encontrar um equilíbrio, em um país cujo apoiado ao credito, consome desenfreadamente. Não precisa de gastos públicos elevados para se manter uma boa taxa do crescimento do PIB.

Sobre os impostos, o governo realmente terá um trabalho forte pela frente. É inadmissível aceitar que a produção industrial caia, justamente quando a economia interna está extremamente aquecida. Uns dos motivos da inflação, além dos já conhecidos aumento do preço dos alimentos, se passa nesse desequilíbrio entre demanda e oferta, o consumo em alta com produção estagnada ou baixa, não tem como não acontecer inflação, nesse caso a uma inflação de demanda. Dilma anunciou que as pequenas e micros empresas que são responsáveis pela maior parte dos empregos gerados no país, terão um plano especial na cotação dos impostos, para que assim se mantenha o emprego no mínimo no patamar atual, medida correta, mas de fato é necessário olhar para os outros setores, as maiores empresas nitidamente precisam também de um apoio contra os impostos e para que todos sejam beneficiados, a reforma tributária terá que sair nos próximos 4 anos, ou sai, ou ficaremos parados nos velhos problemas, por mais 8 anos no mínimo.

A questão de segurança e saúde sinceramente não tenho informação suficiente para dar pitacos. É nítido que precisa melhorar e espero que todos pensem da mesma forma. Para finalizar, eu que fui crítico e apoiava a outro candidato, espero muito que a presidente Dilma queime minha língua. Sinceramente, torço para que ela faça um bom governo, pois acima de qualquer bandeira política, eu como qualquer outro, sou brasileiro e quero para nosso país o melhor. Então em nome de todos os membros do Blog, ficam nossos sinceros votos de boa sorte ao novo governo.

Licença Creative Commons
A obra Os Desafios do Novo Governo de Rodrigo Fernandes da Costa foi licenciada com uma Licença Creative Commons – Atribuição – Uso Não-Comercial – Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.

Rumo à Ucrânia

December 25th, 2010 1 comment

Depois de um ano eleitoral repleto de escândalos e com poucas novidades e propostas, Brasília volta a ter destaque no cenário político em 2010. Ontem a câmara aprovou aumento salarial dos parlamentares, cujos deputados, presidente, vice- presidente, senadores e ministros de Estados terão salários de R$ 26.700,00 ao mês. Senadores terão um reajuste de 61,8%, presidente e vice terão um aumento de 133,9%, enquanto isso a classe trabalhadora recebe aumentos corrigidos pela inflação e nada mais, bom por conceito econômico a medida é mais do que correta, a questão é que deveria prevalecer para todos, seja ele político ou não, agora 133,9%? Bom, o nosso presidente vive dizendo que o País não tem inflação, será que ele erra em suas previsões em 133,9%?

O mais curioso disso tudo é que a votação durou apenas 5 minutos, o que me deixa a entender que projeto de interesses mútuos, a câmara, age com eficiência e incrível velocidade, questões mais importante com relação à sociedade podem esperar, o senhor Tiririca, coitado, dotado de informação considerou o projeto interessante e legal. Pois é amigo, ganhar quase 27 mil reais sem ter 10 anos de estudos deve ser legal mesmo, estudar pra que se eu posso ser deputado?

Dilma Roussef, futura presidenta do país, já começa com um grande pepino orçamentário para resolver, pois um país como nosso, que já durante as eleições se dizia muito em corte dos gastos, em prevenção da inflação e prevenção dos cofres públicos, receber essa notícia não deve ter sido nada agradável, pois essa medida irá custar aos cofres públicos nada mais do que 1,8 bilhões para as cidades, isso claro, irá recair na sociedade. Sim caro leitor! O otário no final das contas é o povo. Serão eles o povo mero mortais que irão arcar com os custos? O país em 8 anos não pode arcar com um orçamento desse para saúde, mas pode arcar para pagamento de salários para pessoas que deve receber até auxílio Viagra, enquanto a população mais carente não tinha direito a sequer um atendimento médico de dignidade, a educação nem se fala, é incrível ver nosso presidente argumentar que teve melhoras consideráveis na educação, digamos que no ensino superior, por necessidade, essa melhora veio, mas a base continua indo de mau a pior e foram 8 anos para se resolver.

Esse aumento acarretará em um orçamento mais inchado, o que pode levar a mais impostos e conseqüentemente mais inflação, impostos elevados sufocam a produção, inibem investimentos, e por falta dos dois, a inflação dispara, eu sou dos que defendem que a nossa inflação é sim de demanda, a população com mais renda, consome loucamente, empresas sem estoque, por conta das dificuldades que ela encontra em se expandir, não acompanha a demanda, a oferta cai e os preços sobem. Entendo que os alimentos estão pesando na inflação, mas não é só alimento que anda em falta no país, alguns produtos tecnológicos já faltam nas prateleiras e isso certamente trará aumento dos preços. Último dado da economia brasileira mostrou um crescimento pífio de 0,5% com a indústria puxando esse número para baixo, sinal de que o sufoco está maior do que imaginávamos somente no Brasil se para de produzir quando o mercado interno está aquecido.

Medidas como essa tiram de mim a esperança do sonho brasileiro. Um dia seremos gigantes, um dia não nos faltará nada, cada momento que passo eu vejo que realmente não passa de sonho, um país tão grande como nosso, com pensamento tão minúsculo de quem o governa, me traz a sensação de que isso jamais irá mudar e meu velho sonho de abandonar o barco volta a florescer. Acho que vou viver um pouco no frio. De repente, ficar preso dentro de casa me faça ignorar os problemas de qualquer nação. Ucrânia, ai vou eu!

Licença Creative Commons
A obra Rumo à Ucrânia de Rodrigo Fernandes da Costa foi licenciada com uma Licença Creative Commons – Atribuição – Uso Não-Comercial – Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.