Multado na Lei Seca – um balanço do primeiro ano da operação
Estou com esse post engasgado já tem algum tempo, e aproveito a divulgação do balanço do primeiro ano da operação lei seca para fazer uma análise profunda, do ponto de vista de um motorista e morador da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o site do RJTV , até o primeiro dia do ano, foram abordados 130.347 motoristas, com 10.449 habilitações apreendidas, 640 presos e 25.821 multas no estado. Não sei quanto às outras 25.820 multas, mas uma dela foi causada por um despreparo ou talvez alguma situação particular, um dia infeliz ou qualquer coisa semelhante que levou um policial agir de uma forma opressiva, me aplicando uma multa por “desobedecer às ordens emanadas da autoridade competente de transito ou seus agentes”.
Era uma quarta-feira, e uns amigos estavam se apresentando na final de um festival de bandas em um lugar que não lembro da zona sul. Eu fui de carona e não bebi nada. Na volta, o Antônio, que também escreve no CAELIS, pediu para que eu levasse o carro dele, pois tinha bebido e assim a idéia era evitar problemas com blitz. Chegando na Gávea, próximo a PUC, a blitz estava armada e um policial, com um fuzil, mandou que eu reduzisse a velocidade. Não sei se na Lei seca, todos os carros são parados e os motoristas obrigados a fazer o teste. Numa blitz comum, os policiais param os carros aleatoriamente, observando o comportamento dos ocupantes. Eu parei ainda na rua, o policial abaixou pra olhar dentro do veiculo pelo lado do carona. Levantou-se, e falou algo que foi indecifrável no primeiro momento e que foi entendido por todos no carro como um “pode seguir”, e assim eu estava fazendo até o sujeito praticamente pular no capô com o fuzil apontado para a minha cara e me xingar, dizendo que tinha mandado eu encostar.
Eu tentei argumentar, mas o infeliz quis me aplicar a multa. Fiz o teste do bafômetro e provei que não tinha motivos para furar a blitz. Ainda tentei argumentar com o rapaz que fez o teste, mas nada ele podia fazer. Após liberado, vimos que o túnel que leva a autoestrada lagoa-barra estava fechado e tivemos que contornar o morro pela avenida Niemeyer. Logo na entrada, uma outra blitz. Desta vez não era da Lei seca, mas para busca de drogas e armas, como geralmente são as operações desse tipo da PM. A atitude também foi outra. A abordagem do policial totalmente diferente. Falou pelo lado do motorista, de forma clara, atendendo até com certo bom humor e sem oprimir um cidadão desarmado. Depois de tudo certo, seguimos viagem. A multa chegou na casa do Antônio e devido à falta de tempo de ambos, não consegui recorrer. Hoje estou devendo ao estado e com cinco pontos na carteira.
A matéria do RJTV também fala que a Barra da Tijuca é o lugar com o segundo maior índice de acidentes do município. Mas quando há blitz na avenida das Américas, exceto fim de semana, segundo relatos, ela só é realizada na pista central, ou seja, bêbados que saem do Downtown (um shopping que possui uma grande concentração de bares e restaurantes), se seguirem na pista lateral não serão abordados. Eu, mesmo evitando álcool e direção, prefiro seguir por essa pista, porque é certo que chegarei mais rápido, pois a blitz deixa um engarrafamento considerável.
Do ponto de vista do cidadão, acho que é valido a fiscalização, mas um investimento em treinamento dos agentes e uma boa estratégia na localização das operações seriam bem-vindas. Discutir se a lei é excessiva ou não, já ficou para trás e não vale a pena levantar esse assunto. O que vale a pena discutir é que o cumprimento da lei gerou uma economia de 100 milhões de reais, com a diminuição de atendimentos hospitalares e outros gastos públicos gerados por acidentes de transito. Esse dinheiro poderia ser utilizado para melhoria da saúde ou quem sabe, na operação protesto criada após o surgimento da lei seca, a operação asfalto liso. Basta deixar como argumento que uma rua bem pavimentada também evita acidentes e ajuda o cidadão economizar na conta da oficina mecânica.

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Update:
E-mail recebido de Carlos Alberto Lopes (Coordenador Geral da Lei Seca) com os dados da mesma no ano de 2009.
Abre aspas:
” Tenho a grata satisfação de informar que pelo 9o mês consecutivo (dezembro) , conseguimos evitar que 421 pessoas fossem vitimadas no trânsito, com ferimentos, mutilações e/ou mortes. De 1o de abril a 31 de dezembro de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, já são menos 3.701vítimas.




Em relação às ressalvas do Rodrigo Souza, que agradeço, gostaria de dar as seguintes satisfações, que ele, como qualquer cidadão, merece: estou surpreso com essa informação, embora dela não duvide, porque são 7 equipes na Operação Lei Seca, com 20 pessoas cada uma, portanto 140 pessoas, sujeitas ã falhas, eis que uma das nossas maiores preocupações e determinação é que façamos o que chamamos de “ABORDAGEM CIDADÔ, sem intimidação de qualquer natureza. Temos recebido um sem número de elogios a esse respeito, porque tanto os policiais, como os nossos agentes civis, abordam os condutores de veículos com toda a educação, explicitando o Projeto e as penalidades daqueles que eventualmente possam ter bebido. Gostaria de saber qual o local, data e horário em que foi feita essa abordagem para, se confirmado esse procedimento, corrigir aqueles que eventualmente assim possam ter agido. Para tanto, o meu e-mail é: carlosalberto_lopes@yahoo.com.br. Meu nome é CARLOS ALBERTO LOPES, sou o subsecretário de estado de governo e o coordenador geral da Operação Lei Seca e, agradecido, estou à disposição do Rodrigo.
Eu ia comentar sobre o post, mas de fato fiquei muito surpreso com a presença do sr subsecretário Carlos Alberto Lopes, e de certa forma fiquei feliz em ver a preocupação demonstrada com o fato ocorrido é importante a participação de todos e quando temos participação também do poder público, torna a discussão um pouco mais séria como ela deveria ser sempre.
Desde já agradeço a presença do sr secretário em nome de todos os membros do blog.
E Rodrigo, parabéns cara seu post ficou muito bom
Esse sempre foi o problema da polícia brasileira. Mal pagos e mal treinados, atuam com extrema truculência porque sabem que estão desamparados e qualquer carro pode abrigar a morte. A falta de apoio psicológico, material e intelectual para muitos desses policiais é que causa os acidentes e esses erros de comportamento.
Infelizmente ainda teremos que conviver com essa situação enquanto o povo continuar votando em salvadores da pátria e não em políticos sérios e com propostas factíveis.