Vamos à praia?
Janeiro, auge do verão! A estação mais adorada pelos cariocas (salvo exceções). Época de calor, praias lotadas, água de coco a beira mar… Eu, como bom carioca, gosto de praia, mas fico revoltado em ver toda vez que vou e vejo muita sujeira na areia.
Quem freqüenta a praia, sabe onde ficam os famosos farofeiros, os fanfarrões, que levam a casa para praia. São os locais mais cheios, onde existem pontos de ônibus que chegam do subúrbio, ou que passam pelas favelas ao redor. Pode parecer preconceito, mas são essas mesmas localidades da praia que ficam absurdamente sujas, mesmo tendo uma lata de lixo enorme e laranja da comlurb a cada cinqüenta metros. Parecem que as mesmas pessoas que moram perto de rios e lá jogam todo resíduo que produzem, deixam tudo na praia, Eles reclamam com o governo que estão sem casa para morar, que a enchente levou tudo e também acham que é obrigação do gari remover o lixo delas. Excluindo-se os lugares com rios de planície, onde de fato não deveria haver moradores, as maiorias das enchentes são causadas por falta de consciência dos moradores da localidade, a mesma falta de consciência que promove esse tipo de atitude nas areias cariocas.
Não estou dizendo que somente pessoas das classes mais baixas que são as “porcas” da praia. Semana passada, passando pela área da reserva, entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, área aonde a maioria dos freqüentadores chegam de carro, (portanto, maior poder aquisitivo) a situação parecia pior, a sujeira era maior ainda.
Como agravante, basta lembrar que a reserva tem esse nome, pois é uma área de proteção ambiental, portanto, deveria ser lixo zero.
Voltando ao foco, as pessoas esquecem, que com o horário de verão, há sol até 19:40 da noite. Se o individuo for à praia e ficar até três da tarde e deixar seu lixo na areia, a outra pessoa que sai do trabalho as cinco eu quiser ir a praia, dar um mergulho antes de voltar pra casa, é obrigado a desviar de copos, cocos, e às vezes espetinhos de madeira, enterrados na areia, que podem causar acidentes. As latinhas de alumínio escapam porque sempre há um catador transeunte e dela tira seu sustento.
Segundo uma matéria da VEJA de julho de 2009, são recolhidas 2 600 toneladas de lixo por mês nas praias cariocas durante o verão. O habito de deixar lixo na praia atrai animais para areia, que podem causar doenças, como os pombos, por exemplo. Um monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostra que em toda a orla da Zona Sul as areias estão infestadas de parasitas causadoras de verminoses como bicho-geográfico, lombriga, solitária e oxiúro, além de indicar fezes de animais, como cachorros e os já citados pombos.
A galera fica preocupada com a qualidade da água, mas esquece que a areia é a parte mais importante da praia, portanto, na próxima vez que for a praia, pense no próximo e carregue seus resíduos.
Obs 1: O tema é recorrente no blog. Em janeiro de 2009, o Leonardo postou o texto “Os Cocos de Búzios” que tratava basicamente da mesma coisa: Lixo na areia e o fato de só latinhas de alumínio sumirem rapidamente.
Obs 2: Existe uma ONG que atua em mais de cinqüenta paises, com um programa chamado Bandeira Azul, cujo objetivo é certificar as praias a partir de uma lista com 29 itens. As condições sanitárias dessa lista são mais rígidas das que o Brasil exige. 3200 praias são consideradas as mais bem cuidadas do mundo. Nenhuma brasileira.

Vamos à praia? by Rodrigo Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Update
Segundo o comentário do Sr. Alan, do tempo em que foi publicado o texto que consultei na VEJA até hoje, a praia de Jurerê Internacional, em Santa Catarina, conseguiu a certificação do programa Bandeira Azul, sendo a primeira praia da América do Sul a conseguir tal feito.





Pois bem, entendido a mensagem sr. Rodrigo Souza, no entanto fiquei bastante interessado em saber o que significa a frase “catador transeunte”, essa vai entrar para meu vocabulário!!!
grande abraço.
André Fernandes
@André Fernandes
transeunte
Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 que não permanece; passageiro, transitivo, transitório
Ex.: condições t.
2 que não deixa vestígios
Ex.: amores t.
3 que está de passagem ou temporariamente em algum lugar (diz-se de pessoa)
4 que transita a pé por algum lugar (diz-se de pessoa)
5 que da causa se comunica ao efeito
■ substantivo de dois gêneros
6 pessoa transeunte
e catador é catador mesmo.. pessoa que cata lixo reciclável
Pois é, ainda querem me perguntar o porque de eu não ser um legitimo carioca, primeiro por não gostar de praia e segundo por não gostar de verão.
Enfim reclama-se muito do Estado pelas enchentes (claro eles tem sua parcela de culpa) mas a população em si poderia ajudar a diminuir esse efeito sendo simplesmente limpa, o que acontece nas praias é o maior exemplo da porcaria que muitos praticam, seja na praia ou nas ruas, esse argumento de que sem lixo não existiria gari é o mais ridiculo e o mais sem fundamento da história, recentemente no RJ Tv foi divulgado que a maioria dos garis são revertidos para area turistica para tentar manter aquele região o mais limpa possível, isso devido a quantidade de lixo que é deixada no chão, com lixeiras próximas, se todos fossem limpos esses garis seriam mais bem distribuidos por todas regiões do Estado o que iria beneficiar a população inteira, mas enfim parece que isso não entra na cabeça das pessoas. So tenho a lamentar
Excelente texto Rodrigo, só gostaria de fazer uma ressalva, o Brasil tem sim uma praia certificada pelo programa Bandeira Azul, é Jurerê Internacional-SC, que por sinal é a primeira praia da América do Sula receber a certificação.
Fonte:http://www.almadeviajante.com/travelnews/003559.php
@Alan
Pois é, essa certificação deve ser recente, pois na fonte citada, da VEJA, dizia que algumas praias iam tentar a certificação. O texto é de julho de 2009, se não me engano. Como foram 6 meses de intervalo entre a fonte de consulta e o post, essa informação me escapou.
O brasileiro é, em geral, muito mal educado. Por isso faz das praias (e das ruas) a lixeira particular. Só com campanhas e com multas pesadas (realmente levadas a cabo) essa situação mudará.
@Arthurius Maximus
O problema é essa campanha existir, multas que deveriam ser muito mais pesadas como a da falta de educação no transito (qualquer uma delas) não são tão pesadas, como um simples lixo no chão será pesado? É assim que todo mundo pensa, depois reclamam que suas casas ficam boiando.
Isso é Brasil!!