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California Coffee, atendimento nota zero

January 12th, 2010 Leonardo Monteiro 11 comments

Ontem fui ao cinema assistir Sherlock Holmes, entrei na fila, comprei o ingresso tudo muito tranqüilo, desci fui até o Subway e comprei um sanduíche para comer antes do cinema e tive a brilhante idéia de tomar um Vanilla Frozen do California Coffee, ai é que se encontra o problema…  Estou na fila, um calor desgraçado porque pelo que parece ar condicionado nenhum estava funcionando naquele shopping (New York City Center) nem mesmo o do cinema estava dando lá muita vazão, enfim entrei na fila, meu amigo à minha frente faz o pedido, a atendente que devia ter seus 20 e poucos anos começa o dialogo:

-  O senhor tem trocado? Porquê se o senhor não tiver, nada feito, não tem negócio.

Eu não consegui me conter e falei para ela:

-  Como assim não tem negócio? Você está se negando a vender?

- Não senhor, eu não tenho troco então você tem duas opções ou você tem trocado ou nada feito…

- Quem tem duas opções aqui é você, se você não tem trocado você abaixa o preço do seu produto até ter troco ou você pode pegar o dinheiro e ir em algum lugar trocar que eu espero.

- Então nada feito senhor.

- Ok, eu vou embora desse lugar F*@%$.

E assim fui, revoltado, sem conseguir entender como uma pessoa pode ser tão idiota a discutir com o cliente e dizer que o cliente é que tem que ter trocado!!! Como assim? Quer dizer então que a obrigação é do cliente de ter o dinheiro contadinho bonitinho para comprar o que ele deseja e não do vendedor de prover o troco certo, o que muitas vezes já não acontece por colocarem preços de “sacanagem” do tipo: 9,99 reais, esse 1 centavo você nunca vai ver no seu troco, não é mesmo? Mas se você der 9,98 reais ninguém te vende nada.

A verdade é que o California Coffee do New York City Center não verá o meu dinheirinho por um bom tempo. A culpa não é exclusivamente da atendente que é uma idiota mal educada é também do dono da filial que não deu o devido treinamento à sua funcionária.

Quanto ao Subway o sanduíche estava ótimo e o filme muito bom também, recomendo.

Sei que muitos leitores do Caelis.blog.br já passaram por situações parecidas, pois todos passamos por algo do tipo não é mesmo? Contem suas histórias estamos prontos para ouvi-las, aliás, o cliente tem sempre razão não é mesmo? (Ou não? oO)

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California Coffee, atendimento nota zero by Leonardo de Castro Monteiro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Multado na Lei Seca – um balanço do primeiro ano da operação

January 8th, 2010 Rodrigo Souza 4 comments

lei secaEstou com esse post engasgado já tem algum tempo, e aproveito a divulgação do  balanço do primeiro ano da operação lei seca para fazer uma análise profunda, do ponto de vista de um motorista e morador da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o site do RJTV , até o primeiro dia do ano, foram abordados 130.347 motoristas, com 10.449 habilitações apreendidas, 640 presos e 25.821 multas no estado. Não sei quanto às outras 25.820 multas, mas uma dela foi causada por um despreparo ou talvez alguma situação particular, um dia infeliz ou qualquer coisa semelhante que levou um policial agir de uma forma opressiva, me aplicando uma multa por “desobedecer às ordens emanadas da autoridade competente de transito ou seus agentes”.

Era uma quarta-feira, e uns amigos estavam se apresentando na final de um festival de bandas em um lugar que não lembro da zona sul. Eu fui de carona e não bebi nada. Na volta, o Antônio, que também escreve no CAELIS, pediu para que eu levasse o carro dele, pois tinha bebido e assim a idéia era evitar problemas com blitz. Chegando na Gávea, próximo a PUC, a blitz estava armada e um policial, com um fuzil, mandou que eu reduzisse a velocidade. Não sei se na Lei seca, todos os carros são parados e os motoristas obrigados a fazer o teste. Numa blitz comum, os policiais param os carros aleatoriamente, observando o comportamento dos ocupantes. Eu parei ainda na rua, o policial abaixou pra olhar dentro do veiculo pelo lado do carona. Levantou-se, e falou algo que foi indecifrável no primeiro momento e que foi entendido por todos no carro como um “pode seguir”, e assim eu estava fazendo até o sujeito praticamente pular no capô com o fuzil apontado para a minha cara e me xingar, dizendo que tinha mandado eu encostar.

Eu tentei argumentar, mas o infeliz quis me aplicar a multa. Fiz o teste do bafômetro e provei que não tinha motivos para furar a blitz. Ainda tentei argumentar com o rapaz que fez o teste, mas nada ele podia fazer. Após liberado, vimos que o túnel que leva a autoestrada lagoa-barra estava fechado e tivemos que contornar o morro pela avenida Niemeyer. Logo na entrada, uma outra blitz. Desta vez não era da Lei seca, mas para busca de drogas e armas, como geralmente são as operações desse tipo da PM. A atitude também foi outra. A abordagem do policial totalmente diferente. Falou pelo lado do motorista, de forma clara, atendendo até com certo bom humor e sem oprimir um cidadão desarmado. Depois de tudo certo, seguimos viagem. A multa chegou na casa do Antônio e devido à falta de tempo de ambos, não consegui recorrer. Hoje estou devendo ao estado e com cinco pontos na carteira.

A matéria do RJTV também fala que a Barra da Tijuca é o lugar com o segundo maior índice de acidentes do município. Mas quando há blitz na avenida das Américas, exceto fim de semana, segundo relatos, ela só é realizada na pista central, ou seja, bêbados que saem do Downtown (um shopping que possui uma grande concentração de bares e restaurantes), se seguirem na pista lateral não serão abordados. Eu, mesmo evitando álcool e direção, prefiro seguir por essa pista, porque é certo que chegarei mais rápido, pois a blitz deixa um engarrafamento considerável.

Do ponto de vista do cidadão, acho que é valido a fiscalização, mas um investimento em treinamento dos agentes e uma boa estratégia na localização das operações seriam bem-vindas. Discutir se a lei é excessiva ou não, já ficou para trás e não vale a pena levantar esse assunto. O que vale a pena discutir é que o cumprimento da lei gerou uma economia de 100 milhões de reais, com a diminuição de atendimentos hospitalares e outros gastos públicos gerados por acidentes de transito. Esse dinheiro poderia ser utilizado para melhoria da saúde ou quem sabe, na operação protesto criada após o surgimento da lei seca, a operação asfalto liso. Basta deixar como argumento que uma rua bem pavimentada também evita acidentes e ajuda o cidadão economizar na conta da oficina mecânica.

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Update:

E-mail recebido de Carlos Alberto Lopes (Coordenador Geral da Lei Seca) com os dados da mesma no ano de 2009.

Abre aspas:

Tenho a grata satisfação de informar que pelo 9o mês consecutivo (dezembro) , conseguimos evitar que 421 pessoas fossem vitimadas no trânsito, com ferimentos, mutilações e/ou mortes. De 1o de abril a 31 de dezembro de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, já são menos 3.701vítimas.

IMPORTANTE FRISAR QUE ENQUANTO O RIO DE JANEIRO AO LONGO DESSES 9 MESES VEM DIMINUINDO SIGNIFICATIVAMENTE O NÚMERO DE VÍTIMAS, TEMOS CONHECIMENTO, ATRAVÉS DOS DADOS ESTATÍSTICOS DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, EM RELAÇÃO AOS ANOS DE 2008 E 2009 QUE, NO BRASIL, HOUVE UM AUMENTO DESSES NÚMEROS, A SABER:

JANEIRO A DEZEMBRO:
2008
ACIDENTES: 134.452; FERIDOS: 77.486;  MORTOS: 6.590
2009
ACIDENTES: 151.172; FERIDOS: 88.885; MORTOS: 7.022

OU SEJA: MAIS 16.720 ACIDENTES (12,5%); MAIS 8.399 FERIDOS (11%); E MAIS 432 MORTOS (6,5%).
É O ESTADO DO RIO DE JANEIRO LIDERANDO EM MAIS UM SEGMENTO, ATRAVÉS DE UMA POLÍTICA PÚBLICA, CHANCELADA PELO CHEFE DO PODER EXECUTIVO, EM UMA DAS MAIS GRAVES QUESTÕES MUNDIAIS, QUE FERE, MUTILA E MATA MAIS DO QUE EM GUERRAS, COM CERCA DE 1 MILHÃO E 300 MIL MORTES ANUAIS NO TRÂNSITO, SÓ SUPERADAS PELAS DOENÇAS DE CORAÇÃO E DE CANCER.

GOSTARIA DE INFORMAR-LHE QUE AS MAIORES LIDERANÇAS MUNDIAIS ESTÃO EXTREMAMENTE PREOCUPADAS COM ESTA QUESTÃO, A MAIS RECENTE DELAS, O PRESIDENTE RUSSO, QUE ESTÁ DEFLAGRANDO MEDIDAS DURAS CONTRA AQUELES QUE BEBEM E VÃO DIRIGIR.

A RAZÃO BÁSICA DO ÊXITO DO RIO DE JANEIRO NESSE MISTER É TER ESTABELECIDO A OPERAÇÃO LEI SECA COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA DE GOVERNO,  DE CARÁTER PERMANENTE, COM AÇÕES DESENVOLVIDAS TODOS OS DIAS DA SEMANA, QUE VÃO ATÉ O ÚLTIMO DIA DA ATUAL GESTÃO GOVERNAMENTAL, COM O ÚNICO OBJETIVO DE PRESERVAR A VIDA HUMANA; POLÍTICA PÚBLICA QUE FOI OBJETO, INCLUSIVE, DE RECONHECIMENTO PELA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, QUE A RECOMENDOU PARA DIVERSOS PAÍSES, SOBRETUDO OS DA LÍNGUA PORTUGUESA, O QUE NOS ANIMA E ENVAIDECE NO BOM SENTIDO DA PALAVRA, PORQUE TEMOS CONSCIÊNCIA QUE ESTAMOS PRESERVANDO O QUE HÁ DE MAIS IMPORTANTE QUE É A VIDA HUMANA.

NESSE SENTIDO, GANHA RELEVÂNCIA O APOIO DA MÍDIA, QUE TEM ESTADO AO NOSSO LADO HÁ 9 MESES, DIVULGANDO OS NÚMEROS TRÁGICOS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO BRASIL, COM 40 MIL MORTES ANUAIS, E NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ONDE, EM 2008, 35 MIL PESSOAS FICARAM FERIDAS E 2.500 MORRERAM; NÚMEROS QUE A SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO CONHECIA OU NÃO SE DAVA CONTA COTIDIANAMENTE,  NUM PROCESSO DE CONSCIENTIZAÇÃO GRADATIVA E COLETIVA; MÍDIA A QUAL RENDEMOS AS NOSSAS HOMENAGENS E AGRADECIMENTOS POR ESTAR NOS AJUDANDO, VERDADEIRAMENTE A SALVAR VIDAS.

Competindo sem competir

September 24th, 2009 Rodrigo Souza No comments

Todos nós andamos de carro, ônibus, avião, moto, e nem sequer pensamos em como o veiculo surgiu, como foi feito o projeto e quais normas são aplicadas para o tal. Boa parte das normas foram desenvolvidas através das experiências de engenheiros e com isso surgiu a SAE, sociedade de engenharia automotiva, que atualmente é chamada de sociedade dos engenheiros da mobilidade. Quem estuda engenharia, principalmente os ramos de mecânica, materiais e talvez elétrica e eletrônica já deve ter ouvido falar nessa entidade e também sobre seus programas estudantis como o aerodesign, formula SAE e mini-baja SAE.

Esses programas visam levar o estudante a todas etapas do processo de projeto e fabricação de um aeromodelo ou de um carro para asfalto ou offroad e após isso, colocar a prova em duríssimos testes em uma competição entre as faculdades.

Eu tive recentemente a oportunidade de participar de uma dessas competições a de mini-baja e fiquei impressionado com a capacidade inventiva dos futuros engenheiros, a camaradagem e o coleguismo que ocorre entre as equipes e até de alguns juizes da competição. É certo que ali naquele campo de provas está o futuro engenheiro que projetará seu futuro carro ou o avião que levará milhares de passageiros pelo mundo todo , portanto foi uma grande oportunidade de aprendizado e de fazer contatos profissionais. Foram 3 dias de má alimentação, desgaste físico e mental que colocaram a prova também nosso corpo, e no final ter a sensação de dever cumprido, vendo seu projeto andando, funcionando.

Apesar de ser uma competição, a disputa era o que menos importava, algo sem precedentes em outros cursos de graduação, a qual recomendo para quem tiver oportunidade.

Em breve postarei mais informações sobre cada projeto estudantil da SAE e explicando as diferenças e semelhanças.

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Uma ótima boa tarde para vocês…

September 4th, 2009 Rodrigo Souza 6 comments

Era uma quinta feira, e após algumas horas na oficina da equipe de baja da faculdade, estava voltando para casa, e assim que peguei o ônibus na 28 de setembro, reparei num ser que subia pela porta de trás. A aparência num era lá muito agradável, vestia “chinelas” bermuda e camisa.

Sem prestar mais atenção, sentei num banco vazio ao lado de um coroa que carregava bandejas de isopor, daquelas que vem o presunto fatiado que se compra no mercado.

Eis que surge o indivíduo na frente do ônibus e começa a oferecer blisters de chiclete, carregava uma caixinha que parecia que tinha afanado de outro camelô. Após insistentemente tentar vender suas guloseimas, veio com um discurso de indignação com a situação do país e com a falta de oportunidade para um emprego e tal e pedia uma colaboração para vender todos seus chicletes, que dessa forma seria menos um na rua, e com pitadas de pastor evangélico tentou dar seu recado. Pois bem, não vendeu nada.

Seguindo o caminho, na serra Grajaú-Jacarepaguá, eu viajando em meus pensamentos, ouço a célebre frase -Senhoras e senhores passageiros, uma ótima boa tarde para vocês…-  e ai fui reparar quem foi o autor da redundante saudação – é que eu trago aqui…- reparei que se tratava de outro camelô, os famosos “camelô da serra”. Também usava o mesmo estilo do outro, porém bem melhor apresentado com sua camisa pólo da  Lacoste “meide im xáina” provavelmente adquirida na Uruguaiana, e ainda um boné mal colocado na cabeça, que parecia que não cabia, e seu gancho de açougue cheio de saquinhos com as mais diversas opções dos magníficos “passatempo de sua viagem”. Com um discurso mais amigável e podendo atender melhor a demanda de doces dos passageiros, o segundo obteve sucesso vendendo, até onde eu vi, pelo menos 2 pacotes de jujuba de menta, que melhora seu hálito e alivia o pigarro da garganta.

Ambos eram negros se vestiam de forma semelhante, porém  um soube melhor vender seu peixe e conseguir êxito em seu trabalho. Exemplo prático de quão é importante o marketing, seja qual o ramo que se escolha atuar e tudo mais, mas verdade seja dita, já vi muito camelô na serra com camisas de times de futebol, que custam no mínimo uns 140 reais (as originais, é claro), e sempre os que trabalham na serra estão bem vestido.

Isso me deu o que pensar no restante da viagem.

Com a minha eloquência de terceiro grau incompleto e relativamente boa aparência (afirmo sabendo que existe gente mais feia que eu), era capaz de vender bem, e assim, poder vestir uma camisa Lacoste, Elle et Lui e tantas outras. Portanto fica a pergunta: Alguém tem o telefone da associação dos camelôs da serra para eu saber se existe uma vaguinha por lá?

PS: Hoje no caminho de ida para a faculdade, vi novamente o camelô da camisa Lacoste. Não estava com camisa de marca, mas estava de qualquer forma bem vestido e com seu boné vermelho na cabeça.

Quando o vi, ele estava brincando com um celular, tirando ou apenas fingindo tirar fotos de uma moça ao lado. Não deu pra ver muitas coisas, mas fico feliz que é menos um na rua pedindo esmola e roubando, é menos um no morro se drogando ou traficando.
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Para estreiar o blog…

January 11th, 2009 Leonardo Monteiro No comments

A formiguinha que queria voar


No alto de um precipício ,numa floresta tropical, havia um formigueiro de formigas saúvas.Neste formigueiro nasceu uma formiguinha chamada Marronzinho. Como cada formiga em um formigueiro tem uma função, a do Marronzinho  era alimentar as larvas.Durante anos está foi sua vida, apenas alimentar as larvas, sem sequer sair de dentro do formigueiro.

Um dia, Marronzinho perguntou à sua mãe:

-Mãe, eu gostaria de começar a buscar folhas, ja estou cansado de fazer a mesma coisa.

Sua Mãe respondeu:

- Não Marronzinho, sua função aqui e só alimentar as larvas e assim será para o resto de sua vida. Isto é o certo.

Marronzinho abaixou as anteninhas e voltou à função que lhe fora atribuída.

Por vezes, Marronzinho sentia algo estranho em seu coração, ficava triste, mas logo depois lembrava que o certo era fazer aquilo e voltava ao seu trabalho. Porém, com o passar dos anos, Marronzinho começou a se tornar  uma formiga sem alegria e mal humorada. Ninguém surportava Marronzinho,- Este cara é esquisito- diziam as outras formigas.  Brigava com todos, nada estava bem, só via coisas negativas na vida. Até que um dia ele resolveu acabar com tudo. Decidira dar um fim á sua existência. Afinal de contas, se viver era ficar alimentando larvas todos os dias, então seria melhor acabar com tudo. Marronzinho foi até a beira do precipício, olhou para o  formigueiro que fora seu lar e se despediu da vida se jogando lá de cima.

Entretanto, o vento que soprava  encosta acima , fez com que Marronzinho subisse ao invés de cair, alcançando uma  boa altura antes de ser deixado carinhosamente pelo vento próximo ao formigueiro.

- Nossa ! como é bonito ver as coisas lá de cima – Disse Marronzinho.

- Gostaria de poder voar, mas como conseguir, eu não tenho asas!

Imediatamente, Marronzinho começou a vagar pela floresta procurando uma maneira de voar. Por dias ele fez isto. Já havia até esquecido que queria morrer, tamanha fora a excitação que sentira por ter visto, mesmo que por alguns instantes, a floresta lá de cima.

Algumas formigas de outros formigueiros que o encontravam pela floresta diziam:

-Marronzinho, volta para o seu formigueiro, você morrerá sozinho na floresta.Você está louco?- O que ele fizera havia se espalhado por toda a floresta. Todos sabiam que havia tentado o suicídio e abandonado o formigueiro. Mas Marronzinho não ligava, afinal havia descoberto algo que o fizera ter vontade de viver novamente.

Um dia Marronzinho encontrou um tigre:

- Oi seu tigre! Como está o senhor?

- Eu estou bem.Vocês estão sempre em bando, onde estão os outros?

- Eu estou sozinho. Mas e o senhor, cadê os outros?

- Que outros, o certo e viver sozinho.

- Ham? Sozinho? Mas minha mãe me disse que o certo e viver com os outros

- Não, o certo e viver sozinho. E olha, vai embora daqui que eu não gosto muito de fazer amigos.

Marronzinho acelerou o passo e desapareceu dos olhos do tigre. Mas algo ficou em sua mente:

- Qual é o certo então, viver sozinho ou com os outros?

Marronzinho estava confuso com o que o tigre havia lhe dito.

Continuando sua caminhada pela floresta, se deparou com um bicho esquisito. Ele tinha uma tromba enorme em forma de funil e não tinha boca- Era o tamanduá. Assim que este viu Marronzinho, esticou a tromba até ele e começou a sugar. O vento provocado, arrastava tudo em volta , folhas e pedras . Marronzinho se viu dragado até a tromba do tamanduá.

- Moço, porque está fazendo isto – gritava Marronzinho, colocando suas patinhas na entrada da tromba, impedindo assim de ser sugado para o estômago daquele bicho estranho.

- Me solta, seu aspirador gigante! Continuava a gritar.

Até que o tamanduá necessitando de mais ar para uma segunda aspirada, deixou Marronzinho cair . Este correu o mais que pode , mas infelizmente o tamanduá já estava atrás dele e aspirando novamente . Se agarrava a tudo que podia para não ser devorado. Marronzinho já não enxergava direito devido a poeira que se acumulava em seus olhos e continuava a correr desesperadamente sem que  conseguissse se desvencilhar do tamanduá. Mais a frente, ele viu uma árvore e sem pensar duas vezes subiu até alcançar um galho, se livrando enfim daquele bicho horrendo.

A respiração de Marronzinho era tão alta e ofegante que acabou chamando a atenção de um outro bicho, o camaleão

- Comida fácil- disse o camaleão, que já apontava sua lingua pegajosa em direção àquela formiguinha.

Marronzinho, olhando pelo canto dos olhos e ainda com a respiração ofegante, percebeu aquela enorme lingua gosmenta sendo lançada em sua direção

- Ai! Vai começar de novo. Disse apavorado.

A língua o pegou e Marronzinho estava sendo levado diretamente para a boca daquele camaleão.Iria virar um belo aperitivo cansado, mas  Marronzinho estava com sorte. Como estava cheio de poeira da fuga do tamanduá, acabou escorregando da língua e caiu no chão da floresta.

Desta vez porém, não teve tanta sorte. Havia quebrado uma das patinhas dianteiras.

- Isso Dóiiii! Resmungou .

Estava exausto de  tanto tentar fugir e lutar pela sua vida, mas parecia que por aquele momento não havia mais nenhum perigo imediato, o que o levou a entrar debaixo de um galho de árvore e dormir um pouco.

No outro dia, Marronzinho começou novamente sua busca por um meio de voar. Agora mancando, encontrou então uma lagarta que se arrastava pelo chão da floresta. A primeira reação foi de se esconder, mas depois pensou:

- Ela não tem nariz grande e nem aquela língua gosmenta. Vou falar com ela.

-Oi dona lagarta!

- Oi . Você é Marronzinho, aquela formiga que abandonou o formigueiro e tentou se suicidar?

- È! Sou sim

- Ham, sei!

- Dona lagarta eu já estou a vários dias tentando encontrar uma maneira de voar e não consigo, a floresta é muito perigosa e não sei se conseguirei sobreviver mais um dia aqui. A senhora sabe quem pode me ensinar a voar?

- Olha Marronzinho,  se tiver um pouco de paciência eu poderei te falar sobre isto, mas vai ter que esperar uns dias.

- Tá bom dona lagarta eu espero. O que a senhora vai fazer agora?

- Apenas olhe e tenha paciência.

Ali ficou Marronzinho, vendo aquela lagarta se pendurar em um galho de árvore, tecer uma rede em volta de si mesma e aparentemente morrer. Dias se passaram e Marronzinho já estava impaciente, mas algo dentro dele dizia: Tenha paciência

- Dona lagarta! A senhora está me escutando? Dona lagarta! Dona lagaaarta!

A lagarta não respondia.

- Será que ela morreu? Se perguntava Marronzinho impaciente.

Então algo começou a se mexer dentro do casulo. Isto chamou a atenção de Marronzinho que não desgrudava os olhos da árvore.

Uma borboleta havia nascido.

Marronzinho pensou:

- Ué! Cadê a dona lagarta!. Dona borboleta cadê a dona lagarta que estava aí dentro?

- Oi Marronzinho, ainda sou eu, apenas me transformei em uma borboleta.

Marronzinho maravilhado com aquela descoberta, subiu, ainda que mancando, até àquele galho de árvore e se pendurou de cabeça para baixo.

- Marronzinho, saia daí o que  você está fazendo!

- Ué! Vou me transformar em uma borboleta também.

- Não dá Marronzinho, você é uma formiga

- Se você conseguiu eu também consigo

E continuou pendurado de cabeça para baixo, na esperança de poder tecer uma rede.

- Desça daí Marronzinho vamos conversar. Vem aqui vem!

- Tá bom dona lagarta.

- Não sou mais uma lagarta, agora sou uma borboleta. Olha Marronzinho, você nunca poderá ser uma borboleta, mas isto não te impedirá de voar. Vamos fazer o seguinte…

- O que dona lagar.. borboleta.

- Sobe nas minhas costas.

Assim foi, Marronzinho subiu nas costas da borboleta e começaram um vôo.

Os olhos de Marronzinho brilhavam, as anteninhas esticadas para cima cortavam o vento. Ele estava finalmente voando. Tudo era lindo lá de cima, o vale, as montanhas os rios. Marronzinho mal podia falar, chorava e ria ao mesmo tempo. Finalmente ele havia conseguido o que tanto desejava: Voar. Agora tudo fazia sentido, um peso enorme havia sido retirado de suas costas. Tudo pelo que passou de ruim em sua busca já não tinha a menor importância, o importante é que agora ele estava voando e estava feliz. A borboleta o havia levado pelos quatro cantos do mundo. Agora Marronzinho conhecia tudo, aquela tristeza desaparecera. O seu coração estava alimentado de vida.

Voltaram depois de muitos anos para a floresta e Marronzinho, como sempre curioso, começou a questionar sobre algumas coisas que o deixara confuso quando conversou com o tigre.

- Azulzinha- era como ele chamava a borboleta- um dia eu encontrei o tigre que me disse que o certo era viver sozinho, mas minha mãe sempre me disse que o certo era viver com os outros. Afinal o que é certo?

- Nada é certo e tudo é certo Marronzinho.

- Shiii.. pirou- Pensou Marronzinho ao mesmo tempo que coçava a cabeça com as antenas.

-Depende para quem você vai perguntar. Os indivíduos quando se reúnem criam regras para que as coisas fiquem mais previsíveis. Então o que é certo em um grupo de indivíduos e errado para outros. Não existe o certo absoluto somente o certo relativo. Para o tamanduá era certo te comer , para o tigre viver sozinho, para sua mãe viver com os outros.

- Tá bom, já entendi. Azulzinha eu quero ver minha mãe e meus irmãos no formigueiro,

vem comigo!

- Tá bom Marronzinho eu vou.

Chegando no formigueiro, Marronzinho encontrou sua mãe e seus irmãos que o receberam com alegria e toques de antenas. Marronzinho apresentou sua amiga Azulzinha e contou tudo que fez pelo mundo. Sua mãe disse:

-Você realmente enlouqueceu Marronzinho.

Então, pediu a sua mãe para voltar á trabalhar alimentando as larvas.

Agora Marronzinho não tinha mais áquela sensação de tristeza, sua alma estava livre e ele podia voltar a voar e passear pela floresta sempre que quizesse, aliás o formigueiro nunca o havia impedido disto. Era apenas a crença do certo e errado que o havia mantido em cativeiro por tanto tempo. Não era a prisão física que o estava matando , mas sim a do coração. E a chave estava dentro dele mesmo.

Créditos a Edvaldo de Castro
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A Formiguinha Que Queria Voar by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.