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Competindo sem competir

September 24th, 2009 No comments

Todos nós andamos de carro, ônibus, avião, moto, e nem sequer pensamos em como o veiculo surgiu, como foi feito o projeto e quais normas são aplicadas para o tal. Boa parte das normas foram desenvolvidas através das experiências de engenheiros e com isso surgiu a SAE, sociedade de engenharia automotiva, que atualmente é chamada de sociedade dos engenheiros da mobilidade. Quem estuda engenharia, principalmente os ramos de mecânica, materiais e talvez elétrica e eletrônica já deve ter ouvido falar nessa entidade e também sobre seus programas estudantis como o aerodesign, formula SAE e mini-baja SAE.

Esses programas visam levar o estudante a todas etapas do processo de projeto e fabricação de um aeromodelo ou de um carro para asfalto ou offroad e após isso, colocar a prova em duríssimos testes em uma competição entre as faculdades.

Eu tive recentemente a oportunidade de participar de uma dessas competições a de mini-baja e fiquei impressionado com a capacidade inventiva dos futuros engenheiros, a camaradagem e o coleguismo que ocorre entre as equipes e até de alguns juizes da competição. É certo que ali naquele campo de provas está o futuro engenheiro que projetará seu futuro carro ou o avião que levará milhares de passageiros pelo mundo todo , portanto foi uma grande oportunidade de aprendizado e de fazer contatos profissionais. Foram 3 dias de má alimentação, desgaste físico e mental que colocaram a prova também nosso corpo, e no final ter a sensação de dever cumprido, vendo seu projeto andando, funcionando.

Apesar de ser uma competição, a disputa era o que menos importava, algo sem precedentes em outros cursos de graduação, a qual recomendo para quem tiver oportunidade.

Em breve postarei mais informações sobre cada projeto estudantil da SAE e explicando as diferenças e semelhanças.

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Competindo sem competir by Rodrigo Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Uma ótima boa tarde para vocês…

September 4th, 2009 6 comments

Era uma quinta feira, e após algumas horas na oficina da equipe de baja da faculdade, estava voltando para casa, e assim que peguei o ônibus na 28 de setembro, reparei num ser que subia pela porta de trás. A aparência num era lá muito agradável, vestia “chinelas” bermuda e camisa.

Sem prestar mais atenção, sentei num banco vazio ao lado de um coroa que carregava bandejas de isopor, daquelas que vem o presunto fatiado que se compra no mercado.

Eis que surge o indivíduo na frente do ônibus e começa a oferecer blisters de chiclete, carregava uma caixinha que parecia que tinha afanado de outro camelô. Após insistentemente tentar vender suas guloseimas, veio com um discurso de indignação com a situação do país e com a falta de oportunidade para um emprego e tal e pedia uma colaboração para vender todos seus chicletes, que dessa forma seria menos um na rua, e com pitadas de pastor evangélico tentou dar seu recado. Pois bem, não vendeu nada.

Seguindo o caminho, na serra Grajaú-Jacarepaguá, eu viajando em meus pensamentos, ouço a célebre frase -Senhoras e senhores passageiros, uma ótima boa tarde para vocês…-  e ai fui reparar quem foi o autor da redundante saudação – é que eu trago aqui…- reparei que se tratava de outro camelô, os famosos “camelô da serra”. Também usava o mesmo estilo do outro, porém bem melhor apresentado com sua camisa pólo da  Lacoste “meide im xáina” provavelmente adquirida na Uruguaiana, e ainda um boné mal colocado na cabeça, que parecia que não cabia, e seu gancho de açougue cheio de saquinhos com as mais diversas opções dos magníficos “passatempo de sua viagem”. Com um discurso mais amigável e podendo atender melhor a demanda de doces dos passageiros, o segundo obteve sucesso vendendo, até onde eu vi, pelo menos 2 pacotes de jujuba de menta, que melhora seu hálito e alivia o pigarro da garganta.

Ambos eram negros se vestiam de forma semelhante, porém  um soube melhor vender seu peixe e conseguir êxito em seu trabalho. Exemplo prático de quão é importante o marketing, seja qual o ramo que se escolha atuar e tudo mais, mas verdade seja dita, já vi muito camelô na serra com camisas de times de futebol, que custam no mínimo uns 140 reais (as originais, é claro), e sempre os que trabalham na serra estão bem vestido.

Isso me deu o que pensar no restante da viagem.

Com a minha eloquência de terceiro grau incompleto e relativamente boa aparência (afirmo sabendo que existe gente mais feia que eu), era capaz de vender bem, e assim, poder vestir uma camisa Lacoste, Elle et Lui e tantas outras. Portanto fica a pergunta: Alguém tem o telefone da associação dos camelôs da serra para eu saber se existe uma vaguinha por lá?

PS: Hoje no caminho de ida para a faculdade, vi novamente o camelô da camisa Lacoste. Não estava com camisa de marca, mas estava de qualquer forma bem vestido e com seu boné vermelho na cabeça.

Quando o vi, ele estava brincando com um celular, tirando ou apenas fingindo tirar fotos de uma moça ao lado. Não deu pra ver muitas coisas, mas fico feliz que é menos um na rua pedindo esmola e roubando, é menos um no morro se drogando ou traficando.
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Para estreiar o blog…

January 11th, 2009 No comments

A formiguinha que queria voar


No alto de um precipício ,numa floresta tropical, havia um formigueiro de formigas saúvas.Neste formigueiro nasceu uma formiguinha chamada Marronzinho. Como cada formiga em um formigueiro tem uma função, a do Marronzinho  era alimentar as larvas.Durante anos está foi sua vida, apenas alimentar as larvas, sem sequer sair de dentro do formigueiro.

Um dia, Marronzinho perguntou à sua mãe:

-Mãe, eu gostaria de começar a buscar folhas, ja estou cansado de fazer a mesma coisa.

Sua Mãe respondeu:

- Não Marronzinho, sua função aqui e só alimentar as larvas e assim será para o resto de sua vida. Isto é o certo.

Marronzinho abaixou as anteninhas e voltou à função que lhe fora atribuída.

Por vezes, Marronzinho sentia algo estranho em seu coração, ficava triste, mas logo depois lembrava que o certo era fazer aquilo e voltava ao seu trabalho. Porém, com o passar dos anos, Marronzinho começou a se tornar  uma formiga sem alegria e mal humorada. Ninguém surportava Marronzinho,- Este cara é esquisito- diziam as outras formigas.  Brigava com todos, nada estava bem, só via coisas negativas na vida. Até que um dia ele resolveu acabar com tudo. Decidira dar um fim á sua existência. Afinal de contas, se viver era ficar alimentando larvas todos os dias, então seria melhor acabar com tudo. Marronzinho foi até a beira do precipício, olhou para o  formigueiro que fora seu lar e se despediu da vida se jogando lá de cima.

Entretanto, o vento que soprava  encosta acima , fez com que Marronzinho subisse ao invés de cair, alcançando uma  boa altura antes de ser deixado carinhosamente pelo vento próximo ao formigueiro.

- Nossa ! como é bonito ver as coisas lá de cima – Disse Marronzinho.

- Gostaria de poder voar, mas como conseguir, eu não tenho asas!

Imediatamente, Marronzinho começou a vagar pela floresta procurando uma maneira de voar. Por dias ele fez isto. Já havia até esquecido que queria morrer, tamanha fora a excitação que sentira por ter visto, mesmo que por alguns instantes, a floresta lá de cima.

Algumas formigas de outros formigueiros que o encontravam pela floresta diziam:

-Marronzinho, volta para o seu formigueiro, você morrerá sozinho na floresta.Você está louco?- O que ele fizera havia se espalhado por toda a floresta. Todos sabiam que havia tentado o suicídio e abandonado o formigueiro. Mas Marronzinho não ligava, afinal havia descoberto algo que o fizera ter vontade de viver novamente.

Um dia Marronzinho encontrou um tigre:

- Oi seu tigre! Como está o senhor?

- Eu estou bem.Vocês estão sempre em bando, onde estão os outros?

- Eu estou sozinho. Mas e o senhor, cadê os outros?

- Que outros, o certo e viver sozinho.

- Ham? Sozinho? Mas minha mãe me disse que o certo e viver com os outros

- Não, o certo e viver sozinho. E olha, vai embora daqui que eu não gosto muito de fazer amigos.

Marronzinho acelerou o passo e desapareceu dos olhos do tigre. Mas algo ficou em sua mente:

- Qual é o certo então, viver sozinho ou com os outros?

Marronzinho estava confuso com o que o tigre havia lhe dito.

Continuando sua caminhada pela floresta, se deparou com um bicho esquisito. Ele tinha uma tromba enorme em forma de funil e não tinha boca- Era o tamanduá. Assim que este viu Marronzinho, esticou a tromba até ele e começou a sugar. O vento provocado, arrastava tudo em volta , folhas e pedras . Marronzinho se viu dragado até a tromba do tamanduá.

- Moço, porque está fazendo isto – gritava Marronzinho, colocando suas patinhas na entrada da tromba, impedindo assim de ser sugado para o estômago daquele bicho estranho.

- Me solta, seu aspirador gigante! Continuava a gritar.

Até que o tamanduá necessitando de mais ar para uma segunda aspirada, deixou Marronzinho cair . Este correu o mais que pode , mas infelizmente o tamanduá já estava atrás dele e aspirando novamente . Se agarrava a tudo que podia para não ser devorado. Marronzinho já não enxergava direito devido a poeira que se acumulava em seus olhos e continuava a correr desesperadamente sem que  conseguissse se desvencilhar do tamanduá. Mais a frente, ele viu uma árvore e sem pensar duas vezes subiu até alcançar um galho, se livrando enfim daquele bicho horrendo.

A respiração de Marronzinho era tão alta e ofegante que acabou chamando a atenção de um outro bicho, o camaleão

- Comida fácil- disse o camaleão, que já apontava sua lingua pegajosa em direção àquela formiguinha.

Marronzinho, olhando pelo canto dos olhos e ainda com a respiração ofegante, percebeu aquela enorme lingua gosmenta sendo lançada em sua direção

- Ai! Vai começar de novo. Disse apavorado.

A língua o pegou e Marronzinho estava sendo levado diretamente para a boca daquele camaleão.Iria virar um belo aperitivo cansado, mas  Marronzinho estava com sorte. Como estava cheio de poeira da fuga do tamanduá, acabou escorregando da língua e caiu no chão da floresta.

Desta vez porém, não teve tanta sorte. Havia quebrado uma das patinhas dianteiras.

- Isso Dóiiii! Resmungou .

Estava exausto de  tanto tentar fugir e lutar pela sua vida, mas parecia que por aquele momento não havia mais nenhum perigo imediato, o que o levou a entrar debaixo de um galho de árvore e dormir um pouco.

No outro dia, Marronzinho começou novamente sua busca por um meio de voar. Agora mancando, encontrou então uma lagarta que se arrastava pelo chão da floresta. A primeira reação foi de se esconder, mas depois pensou:

- Ela não tem nariz grande e nem aquela língua gosmenta. Vou falar com ela.

-Oi dona lagarta!

- Oi . Você é Marronzinho, aquela formiga que abandonou o formigueiro e tentou se suicidar?

- È! Sou sim

- Ham, sei!

- Dona lagarta eu já estou a vários dias tentando encontrar uma maneira de voar e não consigo, a floresta é muito perigosa e não sei se conseguirei sobreviver mais um dia aqui. A senhora sabe quem pode me ensinar a voar?

- Olha Marronzinho,  se tiver um pouco de paciência eu poderei te falar sobre isto, mas vai ter que esperar uns dias.

- Tá bom dona lagarta eu espero. O que a senhora vai fazer agora?

- Apenas olhe e tenha paciência.

Ali ficou Marronzinho, vendo aquela lagarta se pendurar em um galho de árvore, tecer uma rede em volta de si mesma e aparentemente morrer. Dias se passaram e Marronzinho já estava impaciente, mas algo dentro dele dizia: Tenha paciência

- Dona lagarta! A senhora está me escutando? Dona lagarta! Dona lagaaarta!

A lagarta não respondia.

- Será que ela morreu? Se perguntava Marronzinho impaciente.

Então algo começou a se mexer dentro do casulo. Isto chamou a atenção de Marronzinho que não desgrudava os olhos da árvore.

Uma borboleta havia nascido.

Marronzinho pensou:

- Ué! Cadê a dona lagarta!. Dona borboleta cadê a dona lagarta que estava aí dentro?

- Oi Marronzinho, ainda sou eu, apenas me transformei em uma borboleta.

Marronzinho maravilhado com aquela descoberta, subiu, ainda que mancando, até àquele galho de árvore e se pendurou de cabeça para baixo.

- Marronzinho, saia daí o que  você está fazendo!

- Ué! Vou me transformar em uma borboleta também.

- Não dá Marronzinho, você é uma formiga

- Se você conseguiu eu também consigo

E continuou pendurado de cabeça para baixo, na esperança de poder tecer uma rede.

- Desça daí Marronzinho vamos conversar. Vem aqui vem!

- Tá bom dona lagarta.

- Não sou mais uma lagarta, agora sou uma borboleta. Olha Marronzinho, você nunca poderá ser uma borboleta, mas isto não te impedirá de voar. Vamos fazer o seguinte…

- O que dona lagar.. borboleta.

- Sobe nas minhas costas.

Assim foi, Marronzinho subiu nas costas da borboleta e começaram um vôo.

Os olhos de Marronzinho brilhavam, as anteninhas esticadas para cima cortavam o vento. Ele estava finalmente voando. Tudo era lindo lá de cima, o vale, as montanhas os rios. Marronzinho mal podia falar, chorava e ria ao mesmo tempo. Finalmente ele havia conseguido o que tanto desejava: Voar. Agora tudo fazia sentido, um peso enorme havia sido retirado de suas costas. Tudo pelo que passou de ruim em sua busca já não tinha a menor importância, o importante é que agora ele estava voando e estava feliz. A borboleta o havia levado pelos quatro cantos do mundo. Agora Marronzinho conhecia tudo, aquela tristeza desaparecera. O seu coração estava alimentado de vida.

Voltaram depois de muitos anos para a floresta e Marronzinho, como sempre curioso, começou a questionar sobre algumas coisas que o deixara confuso quando conversou com o tigre.

- Azulzinha- era como ele chamava a borboleta- um dia eu encontrei o tigre que me disse que o certo era viver sozinho, mas minha mãe sempre me disse que o certo era viver com os outros. Afinal o que é certo?

- Nada é certo e tudo é certo Marronzinho.

- Shiii.. pirou- Pensou Marronzinho ao mesmo tempo que coçava a cabeça com as antenas.

-Depende para quem você vai perguntar. Os indivíduos quando se reúnem criam regras para que as coisas fiquem mais previsíveis. Então o que é certo em um grupo de indivíduos e errado para outros. Não existe o certo absoluto somente o certo relativo. Para o tamanduá era certo te comer , para o tigre viver sozinho, para sua mãe viver com os outros.

- Tá bom, já entendi. Azulzinha eu quero ver minha mãe e meus irmãos no formigueiro,

vem comigo!

- Tá bom Marronzinho eu vou.

Chegando no formigueiro, Marronzinho encontrou sua mãe e seus irmãos que o receberam com alegria e toques de antenas. Marronzinho apresentou sua amiga Azulzinha e contou tudo que fez pelo mundo. Sua mãe disse:

-Você realmente enlouqueceu Marronzinho.

Então, pediu a sua mãe para voltar á trabalhar alimentando as larvas.

Agora Marronzinho não tinha mais áquela sensação de tristeza, sua alma estava livre e ele podia voltar a voar e passear pela floresta sempre que quizesse, aliás o formigueiro nunca o havia impedido disto. Era apenas a crença do certo e errado que o havia mantido em cativeiro por tanto tempo. Não era a prisão física que o estava matando , mas sim a do coração. E a chave estava dentro dele mesmo.

Créditos a Edvaldo de Castro
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A Formiguinha Que Queria Voar by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.