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Eleições 2010 – 1° debate (Rede Bandeirantes)

August 7th, 2010 Rodrigo Fernandes 1 comment

No dia 05/08/2010 foi realizado o 1° debate televisionado entre os presidenciáveis, organizado pela Band. O debate contou com as presenças dos principais candidatos a presidência e favoritos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), e dos também candidatos, porém menos badalados, Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda (PSOL).
Como era esperado, o debate ficou polarizado entre os candidatos do PSBD e do PT, José Serra e Dilma Rousseff respectivamente, o candidato Plínio de Arruda do PSOL em diversas vezes argumentou sobre o fato. O mesmo Plínio foi o candidato mais agressivo do debate, atacando de forma direta os candidatos do PSDB e PT, nem se quer Marina Silva do PV escapou de seus ataques. Marina que por sinal não atacou ninguém, mas a meu ver teve uma boa postura durante o debate, sem fugir de perguntas e se focando sempre em seu projeto. Outra coisa interessante tocada pela candidata e apoiada pelo tucano Serra, foi que os partidos devem ser capazes de esquecer as divergências da oposição pela oposição, coisa que também defendo profundamente e achei um ponto interessante tocado por ela.

Dilma Rousseff e José Serra como era de se esperar focaram-se nas campanhas de FHC e de Lula respectivamente, logo no primeiro embate entre os candidatos José Serra fora questionado sobre os 14 milhões de empregos de carteira assinada criados em 7 anos pelo governo Lula em comparação ao de FHC. Serra respondeu categoricamente que não deve ficar olhando pelo retrovisor e criticou a situação de portos, aeroportos e estrada do país. Dilma, claro, não concordou com Serra em relação ao retrovisor. Sobre a frase usada pelo candidato, eu particularmente concordo que a comparação da economia na época do FHC e de Lula são extremamente distintas, um pegou o país totalmente dilacerado com a década perdida dos anos 80 e a hiperinflação no Brasil vivida na mesma época, e o segundo, diga-se o Lula, pegou um país com estruturas macroeconômicas definidas, um país com uma moeda consolidada e principalmente pegou bons ventos da economia mundial, ou seja, são ciclos econômicos diferentes e, portanto a questão da formação de emprego deve ser comemorada sim, mas não comparada com uma gestão de 7 anos atrás e se quisermos ir mais longe e comparar há 16 anos atrás, o mundo mudou e o Brasil mais ainda nesse longo espaço de tempo, e quem tem noções de economia sabe disso. Serra questionou sobre isso com Dilma, justamente por ela ter cursado economia no passado. Além disso, contra a candidata tem o fardo do seu aliado, o ex ministro da fazenda, Antonio Palocci, ter em diversas oportunidades tem elogiado a economia do governo FHC, então convenhamos que esse ponto se for atacado pela candidata será um ponto negativo sempre, em cada debate que a mesma participar.

Em relação à pergunta feita pelo mediador, Ricardo Boechat, os três candidatos mostraram opiniões parecidas. A pergunta feita aos candidatos era em qual setor cada um iria priorizar assim que vencesse as eleições 2010 e os setores foram; a saúde, educação e segurança. Tópicos mais votados no site da Band e todos de forma acertada a meu ver, responderam que não se deve priorizar esses setores por serem críticos e ligados e cada um de sua forma citou suas propostas.

O debate foi se desenrolando de forma dinâmica e de forma respeitosa pelos candidatos. Cada um focando-se mais em propostas ao que a ataques pessoais, o que de fato fez crescer meu interesse, mesmo o radical Plínio de Arruda do PSOL tratou até certo ponto de forma respeitosa os candidatos, apontando falhas nas propostas de cada um e tentando de forma ríspida apresentar a sua que é acabar com a desigualdade no Brasil, talvez o ponto mais caloroso do debate com a participação de Plínio fora a acusação de que a reforma agrária do presidente Lula tenha sido menor do que a do FHC e que isso seria um horror, diga-se de passagem, que o próprio Plínio ainda então filiado ao PT elaborou o projeto e segundo o mesmo, o projeto fora rasgado ao meio, não chegando à metade do que foi proposto inicialmente.

Durante o debate percebi uma Marina contida, porém objetiva, um Serra focado e tentando ser o mais direto possível, uma Dilma inicialmente perdida, atrapalhada pelo nervosismo e afobação, chegou a tremular algumas vezes, mas depois se recuperou. Talvez um momento de dúvida que ela deixou foi sobre a questão das APAES (Associação de pais e amigos dos excepcionais) questionada sobre perseguição por parte do PT pelo candidato José Serra. Ela deixou no ar se as APAES foram ou não prejudicadas pelo governo. Outro ponto em que Dilma levou desvantagem fora a questão da comparação econômica entre o governo FHC e Lula, que já fora comentado aqui, culminaram para que eu chegasse a conclusão que nesse debate ela levou ligeira desvantagem em relação ao tucano. Plínio de Arruda foi ao ataque de tudo e a todos, mas considero sua presença importante para o debate. Primeiro ele deu o ar da graça no debate sempre com comentários que tiravam a gargalhada do público e importante também foi o seu ataque, que serviu para ver como cada candidato trabalharia sobre pressão. Enfim, apesar de discordar com quase tudo com que ele disse, por achá-lo radical demais, eu achei importante sua presença. Algo que me chamou atenção foi a sua proposta da redução da jornada de trabalho, alegando que ela seria benéfica para a contratação de mais trabalhadores, mas o candidato esquece de mencionar que cada trabalhador contratado representa um gasto enorme para qualquer instituição e, portanto essa redução devido a esse gasto excessivo que é contratar um trabalhador não iria alavancar mais contratações e de contra mão iria levar a produção abaixo, prejudicando a todos em um efeito cascata. Plínio esqueceu-se também que ser radical demais, representa fuga de recursos, basta voltar as eleições de 2002 que sobre o efeito de um possível calote que o Brasil poderia fornecer no futuro caso o Lula fosse presidente, levou um colapso em nossa economia quando o dólar chegou a bater R$ 4,00. Enfim, ele falou demais em mudança, mas esqueceu de dizer como. Veremos como será seu desempenho nos próximos debates.

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A palavra do dia é…

July 27th, 2010 Rodrigo Souza 3 comments

ignorancia
Ignorância.
Segundo o dicionário Houaiss, podemos definir essa palavra como:
1 estado daquele que ignora algo, que não está a par da existência de alguma coisa
2 estado daquele que não tem conhecimento, cultura, em virtude da falta de estudo, experiência ou prática
3 estado social no qual a instrução, a cultura é extremamente precária
4 atitude grosseira; grosseria, incivilidade
5 ingenuidade excessiva; inocência, pureza

Basta abrir os jornais para perceber, através destas definições, o Brasil possui um povo alegre, feliz, e todas aquelas definições difundidas em propaganda de turismo, mas acima de tudo é um povo ignorante. E me incluo como um.

Quem não lê os jornais, já podemos enquadrar na definição 1. O país tem uma alta taxa de analfabetismo, além dos analfabetos funcionais que são aqueles que sabem ler, mas não conseguem interpretar o texto. Por sorte, os primeiros não são obrigados a votar, mas não são impedidos de exercer esse direito, podendo até, em regiões mais pobres, favorecer o coronelismo, que ainda existe. Os segundos são altamente influenciáveis, pois não conseguem formar uma opinião coesa, e em geral são alienados graças à definição 3.

Essa palavra é tão perfeita para nos definir que sabemos que a maior parte da população está nas definições 2 e 3, devido a falta de estrutura de nossas escolas, vivemos com medo, principalmente nas grandes cidades devido a definição 4, e a maioria da população, quando confrontada com essas três definições, simplesmente age como na definição 1 e fala que isso é problema de outra pessoa. Bom, a pessoa que sofre com 2,3 e 4 geralmente não gosta disto, e a outra pessoa que seria encarregada, também fala que não é problema dela.

Viver na ignorância até pode parecer um bom negócio. Imagina a felicidade de muitos que ignoravam sintomas de doenças graves, com medo de ir ao médico, imaginando que “quem procura acha”, e ver sua vida acabar por ter que conviver com tratamentos. Ou quem sabe, aquele mais rico, que pode ignorar tudo que se passa nesse país, e se isolar em uma fazenda, ou mudar de país.

Ignorar tudo não dá.

Não dá pra ignorar a mídia polarizando uma eleição presidencial, entre dois candidatos que burlam as leis eleitorais, fazendo campanha antecipada. Não dá para ignorar, um jogador de futebol, que ganham salários exorbitantes, ser acusado de matar a mãe de um filho bastardo, independente de ter culpa ou não. Não dá para aturar a incivilidade de um cidadão após um atropelamento em uma via interditada não prestar socorro, e em seguida ser parado por uma viatura que nada faz.

Se “a ignorância é uma benção”, parece que nós estamos seguindo a risca.

Faltou comentar sobre a definição 5, e para isso, acho perfeito usar a frase que o Houaiss usa como exemplo: “Ah, santa ignorância, será que não percebes o que estão tramando?”

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Andarilhos do maior do mundo

June 23rd, 2010 Rodrigo Souza 5 comments

Manhã chuvosa, eu no caminho da faculdade, já dentro do ônibus, sentado na janela, em um sinal fechado, reparo em um andarilho sentado na esquina.

O curioso sem teto que se abrigava na marquise de uma imobiliária olhava atentamente para o nada, e ria como se lhe contassem uma piada muito boa, coçava seus pés descalços, negros de poeira e calejados de tanto andar que possivelmente não abririam uma feria ao andar sobre cacos de vidro. Talvez conversasse com seu amigo sobre o fato de não ter uma casa, e se abrigava da chuva onde pessoas com posses procuram por suas novas moradas. Talvez nem tenha reparado nisso.

O fato é que, por sorte, esse parecia não ser perigoso, pois hoje no Rio de Janeiro, 95% dos moradores de rua são viciados em drogas, principalmente em crack, e isso os transforma em potenciais assaltantes, sem escrúpulos para conseguir algum trocado e comprar uma pedra.

No meu caminho diário, passo sempre pelo estádio do Maracanã, principal estádio da copa do mundo de 2014 e olimpíadas de 2016. Local que recebe turistas diariamente e terá um fluxo maior durante essas competições, e as vésperas de seu fechamento para obras de reforma, que por sinal ainda nem foram licitadas tendo apenas o edital lançado, a presença de moradores de rua no seu  entorno é grande.

Entre o estádio e o campus da UERJ, inclusive há um monumento que possui andares, que serve como apartamento. Eles escalam a obra e nas pequenas lajes triangulares montam seus acampamentos.

Reparo que eles estão sempre com garrafas plásticas, ou metades de garrafas pet de dois litros, mas não posso afirmar que há drogas, mas seria muita audácia deles consumir a droga ali, a menos de 50 metros de uma cabine de policia, que por sinal, anda sendo motivo de piadas, com dois furtos dentro de delegacias. Alias, alguns dias atrás, vi dois menores, que pareciam estar fora de si, se jogando no meio da rua, e parecendo tacar pedras em ônibus no mesmo local.

Citando o repórter José Ilan, que em seu twitter @joseilan sempre fala:

“ A FIFA não sabe com quem se meteu.”

Porém, espero que ele esteja errado.

P.S.:  Em mais um dia, ao retornar para casa, vi dois agentes da secretaria municipal de assistência social (SMAS) parados na praça citada no texto, e nenhum mendigo. A prefeitura tomou uma ação corretiva, falta ainda ações preventivas, que evitem o surgimento de novos moradores de rua, pois passados alguns dias, novamente a área foi tomada por outros sem-tetos.Também não adianta tomar ações de maquiagem, marginalizando ainda mais essa parcela da população empurrando-as para regiões menos nobres, só para aparecer bonito para o mundo.

Temos potencial para resolver esse e outros problemas com os investimentos que estão e serão aplicados na cidade. O que resta esperar é uma boa vontade do poder publico, honestidade daqueles que nos governa, transparência acima de tudo. Muitos vão rir e dizer que no Brasil isto é utópico, e para aqueles que acham isso, saia da sua poltrona e tome uma atitude. Outubro vem ai.

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Sobre o assunto, saiu hoje no site do O globo a noticia da prisão da detenção de 20 dependentes químicos em frente a UERJ. Matéria completa no link abaixo

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/06/23/seop-detem-20-dependentes-de-crack-em-frente-uerj-no-maracana-916963646.asp

Freado pelo Investimento

June 6th, 2010 Rodrigo Fernandes 1 comment

Seguindo a linha do último post com o qual relacionava a inexplicável popularidade cada vez mais alta do atual presidente da república, vem mais uma vez à tona a falha de um governo considerado bom ou ótimo por quase 80% do eleitorado brasileiro, e mais uma vez no setor que é considerado o maior feito do governo atual.

Recentemente o Banco Central aumentou a taxa básica de juros (selic) para os atuais 9,5% a.a com o intuito de frear o consumo e encarecer o crédito, o que já causava sérios fenômenos inflacionários em nossa economia. O fruto desse problema inflacionário se passa diretamente pelo baixo investimento feito pelo governo desde 2002 e claro, nos governos passados. Em contra partida o funcionalismo público somente cresceu nesse período e o pior é que estudos mostram que parte das pessoas que hoje se encontram no governo era da base aliada de Lula. Os sindicalistas hoje representam um número grande no governo com cargos de tremenda importância. Essa tamanha vontade de tornar o “Estado forte” por Lula, levou a termos gastos extremamente elevados e que obviamente o governo teria dificuldade de sustentar no longo prazo e esse dia finalmente chegou. Como alertavam os especialistas no passado e foram chamados de burros, ignorantes pelo presidente, sem ter muito que fazer o grandíssimo e inteligente presidente ficou numa via sem saída, com apenas duas possibilidades de ajuste, uma delas seria o aumento dos impostos o que seria ruim para o país que já sofre com a alta carga tributária, seria ruim para sua imagem e o que seria tremendamente ruim para a pré-candidata Dilma Rousseff, a única solução viável para o problema era cortar gastos, a questão era saber onde, e o governo muito inteligente como é (idiotas e burros é quem não segue a sua vontade) resolveu cortar gastos da educação, da saúde e desenvolvimento social, mas veja bem, a educação é o maior exemplo que o país leva ao mundo, temos as melhores escolas e os melhores alunos, hoje a educação de ponta alcança 100% da população onde a grande maioria tem inglês fluente e conseguem fornecer mão de obra de qualidade para o país (para quem defende esse governo a falta de mão de obra qualificada também trava nosso crescimento).

Pois bem, essa volta toda era somente para resumir que o nosso crescimento novamente foi travado por falhas de planejamento econômico de um governo que suga quase a metade de nossa renda com impostos e não utiliza de forma digna. Ninguém aqui é contra impostos, ele é necessário para sustentar o Estado, a questão que esse dinheiro deve ser totalmente revertido para a sociedade e isso nitidamente, não aconteceu no governo Lula. Em 8 anos de governo, essa não é a primeira vez que o Banco Central intervém na economia para conter a inflação, isso poderia pelo menos hoje ser evitado caso tivéssemos feitos os investimentos necessários no passado, principalmente na infra-estrutura do país. Hoje passamos problemas muito sérios na área de transporte, nossos aeroportos são precários, nossas estradas problema pertinente em nosso país, nossos portos já começam a trabalhar novamente quase a 100% de sua capacidade, e o governo nesse meio tempo se preocupou somente em aumentar seu gasto com funcionalismo público, aumentando mais e mais a máquina pública cara e ineficiente. A educação, outro problema crônico, fora deixado para trás todo esse tempo, foram criados programas para tapar buracos enganar a população, mas o papel principal do Estado de encarar o problema de frente e acabar de vez com esse incrível déficit que existe na educação de base não foi feito. São diversos tópicos a serem discutidos aqui que me levam a crer que o nosso atual presidente não passa de um “mero mortal” como os demais que por aqui passaram e não um “Deus todo poderoso” como ele é considerado por parte da imprensa e seus inúmeros seguidores. Vamos acordar! Ainda temos tempo de tornar esse país medíocre e um país rico e justo.

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Os 76% Populistas.

Na última semana a data folha divulgou a pesquisa feita entre os dias 25 e 26 de Março e o resultado foi a popularidade histórica do Presidente Lula. A pesquisa mostra um índice de aprovação do governo Lula de 76%, número que cresce a cada pesquisa. Mas os motivos para isso não são tão claros.

O presidente é sim muito popular. Mas algumas medidas dadas com populistas contribuem para aumentar esse índice, sem contar programas como o PAC (assim como tivemos no passado o Acelera Brasil) utilizados em massa pelo presidente para promover algo que sinceramente não vejo. O PAC que será o pilar de campanha da ex-ministra chefe da casa civil Dilma Rousseff, não conseguiu se quer concluir 50% de suas obras planejadas, e o pior já foi lançado o PAC 2 nitidamente como base de campanha da ex-ministra, obras essas que por muita burocracia e falta de transparência do governo acabam atrasando e como sempre aumentando o custo de cada obra onde o governo está metido. Pior, não se vê um esforço necessário do governo em incluir a iniciativa privada em obras estruturais para o país. Utiliza-se demasiado dinheiro público, o mesmo que já vem sendo cruelmente sugado pelo funcionalismo público. Tenho pena do próximo presidente do Brasil, este sim terá sérios problemas para manter o superávit primário. Esse problema se agrava se levarmos em consideração a problemática Bolsa Família, onde diversas famílias recebem de forma irregular o auxílio, contribuindo sim com o aumento da renda e do consumo, mas no outro lado contribuindo com as dívidas do governo que é muito perigoso, a bolsa família nesse aspecto “corrupção” teve o mesmo fracasso do extinto fome zero, se ganha de um lado e perde-se muito de outro, parece que o Estado ainda não aprendeu a fiscalizar, ou melhor, não o faz porque não quer, piorando ainda mais esse quadro, os indícios de que a copa do mundo será custeada em grande parte pelo Estado (como aconteceu nos jogos Pan-Americanos), pode piorar ainda mais essa conta e comprovar mais uma vez a incapacidade do Estado de se encontrar parceiros privados para investimentos fundamentais, primeiro para sociedade e conseqüentemente para copa do mundo, para que a mesma seja realizada de forma digna.

Vamos aos dados: o governo que vem agradando 76% da população é o mesmo que teve um aumento de 51% de arrecadação que inclui impostos, contribuições e royalties em 5 anos e que o retorno à população não é de mesma magnitude. Para dar mais ênfase, falaremos de números concretos, no primeiro trimestre de 2010 tivemos uma arrecadação recorde, somamos R$187,2 Bilhões. O que equivale a um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2009, sendo descontada a inflação do período. Sim! O consumo das famílias muito elevado devido às reduções tributárias de estimulo ao consumo em combate a crise econômica ajudam a engordar essa diferença, porém a pergunta feita é a seguinte: Para aonde vai todo esse dinheiro?

Os gastos do governo nos últimos 5 anos subiram 63%, o que poderíamos dizer que o governo atrelado ao aumento da arrecadação, aumenta o investimento no país, o que seria ótimo, porém não é bem assim. Esses 63% são fortemente puxados pelo inchaço da máquina pública, a quem defenda o serviço público do país, porém quem defende se esquece que por uma legislação falha, o funcionalismo público acaba se tornando ineficiente, um maior rigor por parte do Estado em vigiar e punir seus empregados seria fundamental para que as produtividades de alguns setores públicos fossem satisfatórias, ai nos damos com um sério problema, um país com uma arrecadação enorme, com uma carga tributária dolorosa ao contribuinte, consegue gerar em investimentos míseros 0,6% do PIB, me desculpe quem defende isso, mas são números ridículos que não representam a grandeza do nosso país. Se quisermos ser vistos como gigantes, temos que agir como um qual. Um investimento desse tamanho é digno de países miseráveis, como a maioria dos nossos vizinhos da América do Sul, retirando dessa lista o Chile que é o único que escapa por pouco dessa mediocridade.

Esse inchaço causará problemas no futuro. Essa arrecadação recorde é temporária. Como todo mundo tem visto os bons ventos na economia mundial ainda não voltaram. Grécia, Espanha e Portugal passam por sérias crises econômicas, crise essa provocada pelo enorme endividamento da economia local. Lembrando que o Brasil já está chegando a quase 70% da dívida pública em relação ao PIB (o recomendado pelo FMI era de não passar de 60%), ou seja, estamos tomando o mesmo caminho. Torcemos que nosso consumo continue elevado por muito e muito tempo, pois ele consegue sustentar um gasto fixo (funcionalismo) alto, caso contrário seremos a Grécia do Mercosul, tudo devido a políticas como inchaço da máquina pública, PAC (com suas obras inacabadas e algumas suspeitas de corrupção no licenciamentos de obras) e do eterno problema com a previdência social. Preparem seus guarda-chuvas! Pois a nuvem escurece mais e mais e uma hora ela irá estourar.

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