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Archive for the ‘Sociedade’ Category

Mobilidade no Brasil

January 16th, 2012 Antonio Neves 1 comment

Trânsito em São Paulo

As principais capitais do Brasil, principalmente São Paulo, sofrem com a mobilidade desde a década de 80. Um dos principais motivos para esse problema foi o prioridade dada ao automóvel como meio de transporte cotidiano, são sempre construídas novas estradas e alargadas as existentes e em raras exceções vemos investimentos em outros transportes coletivos.

Na cidade de Natal, um dos principais projetos do PAC para a copa de 2014 será a transformação da Avenida Roberto Freire em uma via expressa, com cinco faixas de rolamento. Nele, não há nenhuma referência à ciclovia ou a transportes coletivos como BRT ou VLT, é apenas previsto mais faixas para o mesmo tipo de tráfego: o de automóveis, isto define uma clara opção preferencial por parte do governo: o transporte motorizado individual. Nenhuma prioridade a transportes alternativos como a bicicleta e a transportes de massa, ônibus, trens, BRT’s VLT’s. Enquanto a cidade de Curitiba, mostra que o transporte coletivo é uma boa alternativa, já que o seu BRT tem obtido sucesso, Natal resolve seguir o exemplo de São Paulo, onde o engarrafamento toma conta da cidade.

O Rio de Janeiro agora ao menos tenta implantar novas formas de transporte coletivo, mas, os projetos são equivocados, a expansão do metrô, por exemplo, ao invés de serem criadas novas linhas e novos trajetos, é feita e expansão em uma única linha contínua e apenas troca de nome no percurso, e mesmo as novas estações da Barra e São Conrado vão continuar seguindo na mesma linha.

Também está previsto a implantação de um BRT no Rio de Janeiro, integrando os bairros da Barra da Tijuca, Guaratiba e Santa Cruz. É uma boa opção por se tratar de uma alternativa aos carros, mas deve ser pensado na integração do planejamento urbano da cidade com o seu sistema de transporte. A própria Barra da Tijuca é um exemplo, no planejamento urbanístico não foi agregado um transporte coletivo eficiente, que acabou gerando o congestionamento precoce das vias. Com a especulação imobiliária que provavelmente ocorrerá na área de Guaratiba, deve se tomar o cuidado para não ocorrer o mesmo problema.

Como se pode notar, em nenhum projeto citado é previsto a criação de ciclovias. Faltam projetos para as bicicletas, pois para as pessoas que usam, é difícil à locomoção por não ter espaço e também pela falta de respeito no trânsito com os ciclistas. Seria uma boa opção a criação de novas alternativas para os ciclistas assim como campanhas de conscientização para o uso da bicicleta e até mesmo para o respeito com os ciclistas, que apesar de as pessoas acharem que as bicicletas são usadas como lazer, 83% dos usuários as usam como meio de transporte.

O Brasil poderia seguir o bom exemplo de um país bem próximo, o Chile, onde Santiago mostra um bom exemplo de integração de transporte com o projeto urbanístico da cidade. As calçadas são planejadas para que os ciclistas e pedestres andem juntos, mas sem que causem problemas entre si. Existem três linhas de metrô que convergem no centro da cidade e que dão acesso a mais duas, que tornam as viagens práticas e rápidas. O próprio automóvel não incomoda tanto, já que as ruas também são bem planejadas para seu uso, e o respeito dos motoristas e pedestres contribuem para o bom funcionamento do transporte na cidade chilena.

Sendo assim, não por acaso o tema da mobilidade no Brasil se resume como congestionamento, graças a nossa política de circulação pelas de ampliação física e modernização da gestão do sistema viário, em detrimento da ampliação e modernização dos transportes coletivos. Mais alargamento de avenidas, mais túneis e viadutos, mais radares e lombadas eletrônicas e nada de um modelo de transporte coletivo integrado, confortável e barato.

O Rio de Janeiro Chora

October 3rd, 2010 Leonardo Monteiro 3 comments

Hoje o Rio de Janeiro amanheceu chorando, talvez por já prever o que está por vir, um resultado triste numa das eleições mais fracas e mal frequentadas que o país já viu.

Ainda me lembro em 2002, quando todos os brasileiros estavam motivados, pois finalmente um cara correto iria governar o país, um cara humilde, trabalhador, um grande líder que lutaria pelas massas.

Oito anos se passaram, e foram oito anos de conquistas e muita decepção, o mensalão, o caseiro, o próprio filho, a casa civil, o PAC, etc.

É triste saber que alguns tratam o PAC como uma conquista, pois poucos se lembram do governo anterior, que resgatou o país da merda e que tinha nele um programa de aceleração do crescimento, tal qual o PAC, muitos lembram menos ainda que um dos primeiros atos do atual governo em 2002, foi desativar tal programa.

Existem os que tratam o Bolsa Família como uma grande conquista desse governo, porém mais uma vez esquecem que no governo anterior tínhamos programas iguais, e quem sabe mais eficientes no ponto de vista fiscal.

É triste viver num país tão carente quanto o Brasil, onde esmola faz o povo festejar, uma política assistencialista, um governo populista, não para o povo, mas para os banqueiros, empresários, e outros mais.

O governo é tão insistente em lembrar que seu líder veio das classes baixas que já parece mais mito do que verdade, mas convenhamos, eles precisam insistir nisto, só assim conseguirão continuar desempenhando o populismo, colando sua imagem junta a do povo e o bolso junto aos banqueiros.

A alternância no poder é uma característica de um país democrático, mas não queremos ser democráticos, queremos? Queremos continuar ganhando esmola dos políticos como se estivessem fazendo um favor para nós, e não mais do que a obrigação, é engraçado como somos tratados como empregados e não como patrões.

A democracia ainda vai demorar muito para amadurecer no país, é verdade que a consciência do eleitorado anda melhorando, vide o Ficha Limpa, lei de iniciativa popular, mas um pouco de pessimismo me vem a mente quando neste ano podemos estar colocando uma base aliada ao governo forte no senado e na câmara, e talvez fomentando o que o governo tanto deseja, uma democracia fantoche.

Imagine, a censura à imprensa, a CPMF e tantos outros projetos controversos sendo votados ano que vem, tudo sendo aprovado, não porque dessa vez a oposição concordou com o governo, mas simplesmente porque não há oposição.

Democracia?

Enfim, o Rio de Janeiro amanheceu chorando, pois César Maia conquistará um lugar no senado, pois Garotinho também conseguirá seu lugar, mas esse na câmara dos deputados.

Triste decidir entre uma guerrilheira e um hipocondríaco, já que os ambientalistas estão no país errado, deveriam ir para nossos vizinhos do norte e ficar gritando “Global Warming”, “Terror”, quem sabe não conseguiriam alguma coisa por lá.

Se vamos votar pelo melhor do país, que seja no mais preparado, no mais experiente, que votemos pela democracia, pela alternância no poder.

O Rio de Janeiro amanheceu chorando, mas que acorde sorrindo.

Errata: O candidato César Maia não foi eleito, mas nomes piores estarão nos representando, infelizmente.

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A não democracia brasileira

September 23rd, 2010 Rodrigo Souza 3 comments

Candidato Darth Vader

Outro dia, folheando antigas revistas em quadrinhos, vejo uma história na turma
da baixinha dentuça mais famosa do país (ela que não me ouça), onde os meninos
organizavam um concurso de miss bairro como mais um plano “infalível” do garoto troca
letras. A idéia era eleger a moça do vestido vermelho, sem analogia comunista, por que
assim se sentiriam livres para implicar com a garota sem apanhar, com a premissa de que
uma miss deve ser sempre educada e delicada.
O plano vai por água abaixo por que todos decidem votar na garota mais bonita do
bairro, já que sua presença seduzia a todos, e enfeitiçados, esqueciam da melhor candidata
para suas vidas. Votar na garota bonita não a faria virar namorada deles. Neste caso
seria algo bom somente para o ego da candidata, que continuaria a desfilar sua beleza.
Você pode estar se perguntando: “Era um concurso de beleza, eles votaram
corretamente”. É válido pensar assim, mas vamos extrapolar um pouquinho e tentar
enxergar o que uma criança não seria capaz de ver ao ler essa história. Imagine uma
eleição qualquer. Em quem você votaria? No candidato com melhores propostas, no com a
propaganda mais bonita ou naquele cujo visual é mais agradável? Exerceriam a democracia
indireta, elegendo um candidato que vai lutar pelos seus interesses ou vota em qualquer um
que vai lutar por interesses próprios e provavelmente corruptos?
Provavelmente todos os que leram até aqui optariam pelos candidatos cujas
propostas apresentadas fossem equivalentes aos seus pensamentos. No fundo, é isso que
acontece até pro candidato corrupto. Política não é papo de botequim, exceto quando
algum político é pego com a boca na botija, mas logo aparece outro escândalo para apagar
o primeiro, nas próximas eleições aparece esse cara cheio de sorrisos e crianças no colo,
promovendo políticas assistencialistas imediatistas. No popular, tapando sol com peneira.
Como vivemos em um país onde a desigualdade é enorme, isso acaba influenciando a
maioria.
Voltando à eleição dos quadrinhos, fica claro o ditado que diz que toda unanimidade
é burra. Esse ditado provavelmente deve ser derivado das idéias do filósofo Sócrates
que reprovava uma decisão tomada pela maioria. Para ele era mais importante saber se o
argumento tem lógica e é razoável, mas como fazer isso para decidir nosso candidato se
o tempo que tenho para ouvir cada um é desigual? Como fazer isso, se as propagandas
políticas são um mar de acusações, de frases feitas, de apelos espirituais? Isso sem
entrar no mérito de qual é o real benefício de se divulgar pesquisas de intenção de votos.
O Brasil ainda precisa aprender o que é democracia. Para isso, precisamos de uma
educação de qualidade, para que o cidadão não precise de bolsas governamentais para
se sustentar (e em alguns casos, se igualar a alguns de Brasília e viver sustentado pelo
governo) e sistemas de cotas. Para um cidadão saber distinguir o que é possível ou o que é
mera fantasia em uma propaganda.
Só assim, eliminaremos os sanguessugas que restaram pós ficha limpa, e para falar a
verdade, espero que junto venha uma renovação política, pois ta difícil achar candidatos.

P.S.:
Ainda não tenho meus candidatos para o dia 3 de outubro, mas já tenho certeza
de quem não é. A minha decisão não é a da maioria (conforme pesquisas), mas eu estou
junto com Sócrates. Meu argumento tem lógica, é razoável e tem até vídeo no youtube.

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O futuro da mobilidade: Soluções imediatas para combater o aquecimento global

August 9th, 2010 Rodrigo Souza 5 comments

Carro Conceito da BMW

Conforme já foi apresentado neste blog, no texto do Rodrigo Fernandes, ainda há discussões sobre o que é real no aquecimento global. Podemos até, em um exercício de imaginação, dizer que no contexto atual o aquecimento global serve como desculpas dos países desenvolvidos para frear a economia dos países em desenvolvimento, principalmente do grupo conhecido como BRIC, que engloba as principais potências emergentes, sendo elas Brasil, Rússia, Índia e China.

Independente do que há de real nos fatos, existe uma oportunidade única para evolução tecnológica, tendo em vista que os grandes saltos que a humanidade deu, foram dados quando houve alguma adversidade, como por exemplo nas guerras. Hoje você pode viajar em aviões a jato ou comer comida enlatada graças a esse desenvolvimento adverso. Sendo assim, o Carbono é nosso inimigo, e um dos principais vilões dessa história é o carro.

Algumas soluções para o futuro, que estão sendo aprimoradas, já foram apresentadas em posts anteriores, mas se for para esperar essas soluções, talvez seja tarde demais. É necessário algo que possa ser utilizado agora. Políticas públicas para transporte de massa é algo que todo governante deve pensar, mas se eu não quiser abrir mão do meu conforto e privacidade? Se eu quiser continuar a usar meu carro sem achar que estou abusivamente agredindo o meio ambiente? A industria automobilística está se movendo para te atender.

Bem verdade que forçada por leis mais rígidas, os carros que teremos em um futuro bem próximo serão resultado de um trabalho árduo dos departamentos de engenharia, visando o aumento da eficiência energética, reduzindo o consumo de combustível, e consequentemente, reduzindo a emissão de gases estufa na atmosfera. Sendo assim é bem provável que algumas dessas soluções estejam presentes no seu futuro automóvel:

Sistema start/stop:

Já presente em alguns veículos de luxo, é um sistema perfeito para cidades, pois consiste em desligar o motor quando está parado no sinal ou em um anda-e-para característicos dos grandes centros urbanos. Através de sensores localizados nos pedais e no câmbio, quando o motorista toma a ação de arrancar com o veiculo novamente, o sistema religa o motor, evitando consumo de combustível enquanto parado, isso sem precisar de alguma ação a mais do motorista. Você pode simular isso desligando seu carro na ignição, mas com certeza será xingado por algum apressadinho se seu carro não ligar de primeira, coisa que não tem risco de acontecer com esse sistema.
Aliado a um sistema hibrido, com motores elétricos, é uma solução interessante.

Aerodinâmica:

Basta olhar para projetos antigos para perceber que aerodinâmica não era uma preocupação. Estilo como nos carros dos anos 50 ou funcionalidade como na Uno e na Kombi eram os objetivos do departamento de design das empresas. A aerodinâmica só era uma preocupação em carros esportivos e de competição, mas os próximos carros necessitarão de uma total integração do design com a engenharia, para a escolha de um projeto funcional, belo e aerodinâmico. Um carro que corta melhor o ar necessita de menos potência para ser eficiente, com isso, podemos ter motores menores, e por consequência também menor consumo.

Transmissão:

Quem busca algum conforto ao dirigir, provavelmente vai escolher um carro automático para não ficar trocando de marcha o tempo todo, mas quem ler um comparativo entre carros manuais e automáticos verá que o consumo do automático é maior. Isso se deve ao fato de que no modo manual, o motorista tem a liberdade de trocar as marchas de uma forma mais eficiente do que no modo automático, dependendo é claro, da forma de guiar e acelerar. Mas a indústria está desenvolvendo câmbios automatizados que poderão economizar mais e ser mais eficiente do que um câmbio manual. Mas ainda não é realidade em todos os carros. Vale a pena ver o comparativo de consumo antes de comprar seu próximo carro, isso se sua preferência for um carro de baixo consumo sem se importar de qual transmissão escolher.

Downsizing:

Em administração, downsizing significa racionalizar processos, diminuindo a burocracia, tendo uma estrutura enxuta mantendo a eficiência e a eficácia. Terror dos funcionários, pois em sua aplicação são necessárias demissões. No livro “ O princípio Dilbert” de Scott Adams, há um capitulo inteiro de sátiras sobre esta prática que vale a pena conferir.
Mas voltando ao foco, nos carros, esse princípio é aplicado nos motores, reduzindo cilindradas sem perder torque e potência através de estudos do departamento de engenharia. Por exemplo, o motor do Chevrolet Corsa 1.0 em 1998 possuía 60 cv de potência, e hoje um motor 1.0 que ocupa o Chevrolet Classic (que na verdade não passa de um Corsa sedã, com nome e maquiagem) possui 77 cv se usado com gasolina, e ainda é flexível, desenvolvendo 78 cv no Álcool.
Outra técnica utilizada é a introdução do turbo. Os Volkswagen Gol e Parati 1.0 Turbo do começo da década e os motores T-jet da Fiat usam esse recurso para serem um motor de baixa cilindrada que possuem potência semelhante a motores maiores.
Possivelmente teremos um motor mais leve, compacto, econômico, sem perder em potência e desempenho.

Materiais:

Sabemos que quanto mais peso se carrega, mais força é necessária, portanto, para reduzir consumo nos carros, é necessário reduzir o peso estrutural dos mesmos. Plástico, alumínio e outros materiais compósitos poderão ser mais utilizados. Um exemplo disso é que alguns veículos esportivos possuem sua estrutura em alumínio, algumas peças em fibra de carbono, freios com discos de cerâmica e etc. Mas se engana aquele que acha que o aço foi descartado. O aço possui inúmeras vantagens em termos estruturais que alguns desses materiais ainda não possuem ou provavelmente nunca irão possuir, portanto as siderúrgicas estão desenvolvendo os chamados AHSS (sigla em inglês para aço avançado de alta resistência), e com isso uma peça pode ter a mesma resistência usando menos material. Essa redução de peso em relação ao aço usado atualmente pode ser comparada com a redução obtida com a utilização do alumínio mas com a vantagem de ser um aço.

Discutir as diferenças entre matérias foge do escopo desse texto e entraria em um artigo altamente técnico de engenharia de materiais. Em resumo, basta entender que teremos um carro mais leve, mas nem por isso, menos seguro, e seguindo nessa proposta de redução de peso, algumas empresas já estão pesquisando matérias que possam servir como baterias e carroceria visando o carro elétrico. Isso poderia resolver um dos grandes problemas para a utilização desse tipo de motor que é a falta de baterias compactas e eficientes.

Seu próximo carro poderá não ser livre de emissões de carbono, mas com certeza será muito mais econômico, quem sabe até tendo um consumo comparável ao de uma moto, com cerca de 30 km/l no ciclo urbano. Acha isso improvável? É apenas a meta europeia para 2020.

OBS: Na foto, temos o Gina, carro conceito da BMW que ilustra bem a busca por materiais mais leves na fabricação dos automóveis. O Gina possui uma carroceria composta por cabos de alta resistência e fibra de carbono, recobertos por um tecido impermeável e resistente.

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Eleições 2010 – 1° debate (Rede Bandeirantes)

August 7th, 2010 Rodrigo Fernandes 1 comment

No dia 05/08/2010 foi realizado o 1° debate televisionado entre os presidenciáveis, organizado pela Band. O debate contou com as presenças dos principais candidatos a presidência e favoritos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), e dos também candidatos, porém menos badalados, Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda (PSOL).
Como era esperado, o debate ficou polarizado entre os candidatos do PSBD e do PT, José Serra e Dilma Rousseff respectivamente, o candidato Plínio de Arruda do PSOL em diversas vezes argumentou sobre o fato. O mesmo Plínio foi o candidato mais agressivo do debate, atacando de forma direta os candidatos do PSDB e PT, nem se quer Marina Silva do PV escapou de seus ataques. Marina que por sinal não atacou ninguém, mas a meu ver teve uma boa postura durante o debate, sem fugir de perguntas e se focando sempre em seu projeto. Outra coisa interessante tocada pela candidata e apoiada pelo tucano Serra, foi que os partidos devem ser capazes de esquecer as divergências da oposição pela oposição, coisa que também defendo profundamente e achei um ponto interessante tocado por ela.

Dilma Rousseff e José Serra como era de se esperar focaram-se nas campanhas de FHC e de Lula respectivamente, logo no primeiro embate entre os candidatos José Serra fora questionado sobre os 14 milhões de empregos de carteira assinada criados em 7 anos pelo governo Lula em comparação ao de FHC. Serra respondeu categoricamente que não deve ficar olhando pelo retrovisor e criticou a situação de portos, aeroportos e estrada do país. Dilma, claro, não concordou com Serra em relação ao retrovisor. Sobre a frase usada pelo candidato, eu particularmente concordo que a comparação da economia na época do FHC e de Lula são extremamente distintas, um pegou o país totalmente dilacerado com a década perdida dos anos 80 e a hiperinflação no Brasil vivida na mesma época, e o segundo, diga-se o Lula, pegou um país com estruturas macroeconômicas definidas, um país com uma moeda consolidada e principalmente pegou bons ventos da economia mundial, ou seja, são ciclos econômicos diferentes e, portanto a questão da formação de emprego deve ser comemorada sim, mas não comparada com uma gestão de 7 anos atrás e se quisermos ir mais longe e comparar há 16 anos atrás, o mundo mudou e o Brasil mais ainda nesse longo espaço de tempo, e quem tem noções de economia sabe disso. Serra questionou sobre isso com Dilma, justamente por ela ter cursado economia no passado. Além disso, contra a candidata tem o fardo do seu aliado, o ex ministro da fazenda, Antonio Palocci, ter em diversas oportunidades tem elogiado a economia do governo FHC, então convenhamos que esse ponto se for atacado pela candidata será um ponto negativo sempre, em cada debate que a mesma participar.

Em relação à pergunta feita pelo mediador, Ricardo Boechat, os três candidatos mostraram opiniões parecidas. A pergunta feita aos candidatos era em qual setor cada um iria priorizar assim que vencesse as eleições 2010 e os setores foram; a saúde, educação e segurança. Tópicos mais votados no site da Band e todos de forma acertada a meu ver, responderam que não se deve priorizar esses setores por serem críticos e ligados e cada um de sua forma citou suas propostas.

O debate foi se desenrolando de forma dinâmica e de forma respeitosa pelos candidatos. Cada um focando-se mais em propostas ao que a ataques pessoais, o que de fato fez crescer meu interesse, mesmo o radical Plínio de Arruda do PSOL tratou até certo ponto de forma respeitosa os candidatos, apontando falhas nas propostas de cada um e tentando de forma ríspida apresentar a sua que é acabar com a desigualdade no Brasil, talvez o ponto mais caloroso do debate com a participação de Plínio fora a acusação de que a reforma agrária do presidente Lula tenha sido menor do que a do FHC e que isso seria um horror, diga-se de passagem, que o próprio Plínio ainda então filiado ao PT elaborou o projeto e segundo o mesmo, o projeto fora rasgado ao meio, não chegando à metade do que foi proposto inicialmente.

Durante o debate percebi uma Marina contida, porém objetiva, um Serra focado e tentando ser o mais direto possível, uma Dilma inicialmente perdida, atrapalhada pelo nervosismo e afobação, chegou a tremular algumas vezes, mas depois se recuperou. Talvez um momento de dúvida que ela deixou foi sobre a questão das APAES (Associação de pais e amigos dos excepcionais) questionada sobre perseguição por parte do PT pelo candidato José Serra. Ela deixou no ar se as APAES foram ou não prejudicadas pelo governo. Outro ponto em que Dilma levou desvantagem fora a questão da comparação econômica entre o governo FHC e Lula, que já fora comentado aqui, culminaram para que eu chegasse a conclusão que nesse debate ela levou ligeira desvantagem em relação ao tucano. Plínio de Arruda foi ao ataque de tudo e a todos, mas considero sua presença importante para o debate. Primeiro ele deu o ar da graça no debate sempre com comentários que tiravam a gargalhada do público e importante também foi o seu ataque, que serviu para ver como cada candidato trabalharia sobre pressão. Enfim, apesar de discordar com quase tudo com que ele disse, por achá-lo radical demais, eu achei importante sua presença. Algo que me chamou atenção foi a sua proposta da redução da jornada de trabalho, alegando que ela seria benéfica para a contratação de mais trabalhadores, mas o candidato esquece de mencionar que cada trabalhador contratado representa um gasto enorme para qualquer instituição e, portanto essa redução devido a esse gasto excessivo que é contratar um trabalhador não iria alavancar mais contratações e de contra mão iria levar a produção abaixo, prejudicando a todos em um efeito cascata. Plínio esqueceu-se também que ser radical demais, representa fuga de recursos, basta voltar as eleições de 2002 que sobre o efeito de um possível calote que o Brasil poderia fornecer no futuro caso o Lula fosse presidente, levou um colapso em nossa economia quando o dólar chegou a bater R$ 4,00. Enfim, ele falou demais em mudança, mas esqueceu de dizer como. Veremos como será seu desempenho nos próximos debates.

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