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A palavra do dia é…

July 27th, 2010 Rodrigo Souza 3 comments

ignorancia
Ignorância.
Segundo o dicionário Houaiss, podemos definir essa palavra como:
1 estado daquele que ignora algo, que não está a par da existência de alguma coisa
2 estado daquele que não tem conhecimento, cultura, em virtude da falta de estudo, experiência ou prática
3 estado social no qual a instrução, a cultura é extremamente precária
4 atitude grosseira; grosseria, incivilidade
5 ingenuidade excessiva; inocência, pureza

Basta abrir os jornais para perceber, através destas definições, o Brasil possui um povo alegre, feliz, e todas aquelas definições difundidas em propaganda de turismo, mas acima de tudo é um povo ignorante. E me incluo como um.

Quem não lê os jornais, já podemos enquadrar na definição 1. O país tem uma alta taxa de analfabetismo, além dos analfabetos funcionais que são aqueles que sabem ler, mas não conseguem interpretar o texto. Por sorte, os primeiros não são obrigados a votar, mas não são impedidos de exercer esse direito, podendo até, em regiões mais pobres, favorecer o coronelismo, que ainda existe. Os segundos são altamente influenciáveis, pois não conseguem formar uma opinião coesa, e em geral são alienados graças à definição 3.

Essa palavra é tão perfeita para nos definir que sabemos que a maior parte da população está nas definições 2 e 3, devido a falta de estrutura de nossas escolas, vivemos com medo, principalmente nas grandes cidades devido a definição 4, e a maioria da população, quando confrontada com essas três definições, simplesmente age como na definição 1 e fala que isso é problema de outra pessoa. Bom, a pessoa que sofre com 2,3 e 4 geralmente não gosta disto, e a outra pessoa que seria encarregada, também fala que não é problema dela.

Viver na ignorância até pode parecer um bom negócio. Imagina a felicidade de muitos que ignoravam sintomas de doenças graves, com medo de ir ao médico, imaginando que “quem procura acha”, e ver sua vida acabar por ter que conviver com tratamentos. Ou quem sabe, aquele mais rico, que pode ignorar tudo que se passa nesse país, e se isolar em uma fazenda, ou mudar de país.

Ignorar tudo não dá.

Não dá pra ignorar a mídia polarizando uma eleição presidencial, entre dois candidatos que burlam as leis eleitorais, fazendo campanha antecipada. Não dá para ignorar, um jogador de futebol, que ganham salários exorbitantes, ser acusado de matar a mãe de um filho bastardo, independente de ter culpa ou não. Não dá para aturar a incivilidade de um cidadão após um atropelamento em uma via interditada não prestar socorro, e em seguida ser parado por uma viatura que nada faz.

Se “a ignorância é uma benção”, parece que nós estamos seguindo a risca.

Faltou comentar sobre a definição 5, e para isso, acho perfeito usar a frase que o Houaiss usa como exemplo: “Ah, santa ignorância, será que não percebes o que estão tramando?”

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Matozinhos

January 23rd, 2010 Antonio Neves 3 comments


Matozinhos é uma cidade do interior do estado de Minas Gerais, conhecida por descobertas arqueológicas. Na gruta Cerca Grande foram descobertos vestígios de ocupação humana, outro ponto que chama atenção é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Jaguara construída pelo Aleijadinho. Matozinhos seria um bom lugar para um turismo cultural, mas não é por isso que a cidade chamou a atenção recentemente.

Trinta dias em janeiro, mais trinta no mês de julho e outros quinze em dezembro. Esses são os 75 dias de recesso que os nove vereadores de Matozinhos, recebem na Câmara Municipal da cidade. Isso mesmo, os veradores, que trabalham apenas um dia por semana, ainda tem direito a 75 dias de férias por ano. O presidente da Câmara, Joaquim Alves (PSDB), argumenta que o recesso está previsto no regimento interno, regulamentado por uma lei orgânica do município. Infelizmente o excelentíssimo Joaquim Alves deve ter esquecido que segundo a emenda constitucional nº 50/2006, aprovada pelo Congresso Nacional, um parlamentar de qualquer nível da administração pode ter “apenas” 55 dias de férias por ano e como uma lei federal tem sempre que prevalecer sobra a lei orgânica, simplesmente as pequenas férias de nossos querido vereadores são uma medida inconstitucional.

Como já era esperado, isso já acarretou problemas. No começo do ano, com a Câmara de Vereadores inativa, os projetos não podem ser aprovados e um deles é o orçamento da cidade, ou seja, o prefeito da cidade não tem dinheiro para fazer as compras e as obras que a cidade necessita. Mas há um pequeno detalhe, uma Casa Legislativa não pode entrar em recesso sem antes votar o orçamento. Novamente um ato inconstitucional. E novamente nosso querido Joaquim Alves se defende dizendo que o caso não passa apenas de intriga política. Entretanto, há uma “esperança”, uma veradora que não quis se identificar, deu uma declaração dizendo que eles iriam trabalhar em um dia de suas férias para que os problemas fossem sanados e melhor, fariam isso sem exigir nenhuma remuneração a mais. Quanta gentileza.
Enquanto os políticos dessa cidade devem estar viajando pelo Caribe, os moradores da cidade encontram uma estação ferroviária caindo aos pedaços e outros ponto da cidade também estão em estado precário.

Como se não bastasse, existe um outro dado que gera uma grande tristeza. O site do jornal “Informatoz”, conhecido na região, realizou um enquente questionando a população sobre o recesso abusivo. De 507 votos no total, tiveram 25 idiotas que votaram a favor. Desculpem o termo, mas uma pessoa que é condizente com uma coisa dessas só pode ser idiota, não existe outra definição.

Infelizmente Matozinhos deve ser apenas um exemplo de escândalo que deve exister em muitas outras cidades pequenas no Brasil e onde não há fiscalização e as safadezas ocorrem livremente por politicos corruptos que são eleitos muitas vezes vendendo seus votos e a população cai no jogo dos mesmo e depois sofre a consequência.

Não gostaria de encerrar um texto dessa forma, mas terei que usar essa frase.

Brasil: Um país de tolos

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Eleições 2010

October 26th, 2009 Rodrigo Fernandes 2 comments

Aos poucos vamos nos aproximando das eleições de 2010, porém a disputa já começa e o primeiro a sentir os efeitos que a aproximação da eleição causa foi o Banco Central, recentemente ao prever um risco inflacionário aos gastos excessivos no Brasil,foi duramente criticado pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que fez duras críticas ao que chamou de “tentativa de terrorismo fiscal” por parte de setores da oposição e do mercado alimentados pelo relatório de inflação do Banco Central (BC). Segundo o secretário, o governo irá cumprir com a meta do superávit primário 2,5% (2009) e 3,3% (2010) do Produto Interno Bruto (PIB) e que a política fiscal é “perfeitamente consistente” com a meta de inflação, com o equilíbrio da dívida e a previsão de crescimento.

Ao relacionar a oposição, o secretário referia-se aos analistas que estão prevendo um aumento da inflação em 4,4% no ano de 2010 (ainda na meta do Banco Central para o mesmo ano) e anunciar uma inflação de até 4,6% no ano de 2011 e devido a essas previsões o BC já estima um aumento da Selic, previsto para chegar a 10,25% no final de 2010, ou seja, um aumento em 1,5 pontos percentuais para o próximo ano.

Novamente alguém que represente o governo age de forma rigorosa e um tanto arrogante contra comentários contrários ao governo atual. Sinceramente é um ato muito medíocre por parte deles, criticas que em certo ponto devem ser analisadas, pois podem ter algum fundamento. Em relação ao alerta do BC, eu acho totalmente coerente e, além disso, a instituição está fazendo o trabalho do próprio Ministério da Fazenda. O dever deles é controlar os gastos e não gastar sem responsabilidade. Pode ver claramente um problema com as contas do governo, um pouco devido ao incentivo fiscal (muito necessário no momento e feito de forma correta) e em minha opinião, o grande vilão disso tudo foi o aumento do funcionalismo público e aumento de seus salários respectivamente. O BC tem razão em se preocupar com a inflação, além do mais, o gasto do governo é determinante, para quem não sabe ele foi uns dos grandes vilões da hiper inflação que assombrou o Brasil durante a década de 80. Portanto, todo cuidado é pouco e esperamos que as palavras do Sr Secretário, Nelson Barbosa, sejam verdadeiras e que o governo cumpra suas metas do superávit primário.

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Brasil no século XXI?

October 7th, 2009 Gerson Lopes 7 comments

BrasilSeculoXXI

Aproveitando toda uma euforia proveniente do orgulho de o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, ter sido escolhido como sede das olimpíadas de 2016, gostaria de dissertar a respeito de possíveis razões que fizeram com que o Brasil, atualmente, seja bem mais respeitado num âmbito internacional.

O cenário econômico mundial não é nada favorável, pelo menos para as tradicionais potências. Com a ausência de liquidez nos mercados norte-americano e europeu (oriundo de uma sistema de financiamento ousado, combinado a um momento de aumento de juros nos EUA) vimos à cerca de 1 ano o mundo se assolar numa crise, que sinceramente, não alterou muito a minha rotina de vida e provavelmente a sua também não. Mas qual será, ou quais serão os verdadeiros aspectos para que o brasileiro, assim como outros povos de países emergentes não tenham sentido a fúria do “cassino” de wall street?

Em linhas gerais, o brasileiro não tem uma cultura, nem uma legislação de financiamento de bens de consumo (geralmente sem liquidez como casas e carros) como nossos conterrâneos do norte do continente. Além disso, tivemos medidas pontuais provenientes do governo federal, articuladas em conjunto pelo ministro da fazenda Guido Mantega e pelo presidente do banco central brasileiro Henrique Meirelles. Tais medidas possibilitaram que uma parcela da produção que seria destinada ao mercado externo, fosse absorvida pelo próprio mercado interno.

Alguns fatos ilustram de forma concreta, como o trabalho de reconhecimento do Brasil no cenário internacional não começou a pouco tempo. Com uma estratégia de levar a “marca” Brasil aos quatro cantos do mundo, conseguiu-se diversificar os nossos clientes ao redor do planeta. Deixamos de ser extremamente dependentes dos consumidores tradicionais (USA e EU) e nos tornamos apenas dependentes dos mesmos, porém a cada dia diversificamos mais nossa carteira de clientes.

Verificamos também, um maior investimento no social, elevando assim o nível de renda do brasileiro e consequentemente, houve um incremento no consumo no Brasil. Desta forma, com uma política que freia o avanço do neo-liberalismo no país e tem o estado como vetor do desenvolvimento econômico, com projeção de sermos a QUINTA economia do mundo em 2016, somos vistos com outros olhos por todo o globo terrestre.

Segue abaixo alguns títulos de matérias que usei para escrever esse artigo, quem tiver interesse em lê-los por completo, acessem as fontes também citadas.

PIB de 2009 melhora de -0,15% para estabilidade

Fonte: Agência Estado

32 milhões subiram para a classe média no governo Lula

Fonte: Folha Online

Previsão de investimentos começa a retomar níveis pré-crise

Fonte: Valor Online

Os heróis são imortais?

October 5th, 2009 Rodrigo Souza 7 comments

Olhando notícias corriqueiras, uma me chama a atenção:

“Antonio Banderas desiste de interpretar Ayrton Senna”

Primeiro pensei:

-   Como assim, filme sobre o Senna? Antônio Bandeiras como Senna?”

Fui ler a notícia, e vi que a desistência se deve ao fato de Bandeiras ter 49 anos, e o Senna ter falecido com 34, portanto, ele se acha muito velho para o papel.

Lendo mais, descobri que a Warner está por trás disso e logo chego aos comentários.

Um me chama a atenção.  Alguém pergunta o por que de um filme com Senna, e o que ele tinha feito de demais, já que o Schumacher ganhou muito mais títulos.

Acredito que esse rapaz, ou é muito novo ou não entende de formula 1.

Diferenças básicas entre os dois pilotos.

Senna:

Correu em uma época que havia pouca tecnologia embarcada, as trocas de marchas eram manuais, com um câmbio semelhante aos usados nos carros comuns, ou seja, tinha que fazer curva com uma mão só a 200 km/h. Teve vários adversários geniais em sua época, como Alain Prost, Nigel Mansell, Niki Lauda e até Nelson Piquet e ainda assim foi tricampeão.

Schumacher:

Auge da tecnologia na formula 1. Controle de tração, minucioso trabalho aerodinâmico, câmbio semi-automático, telemetria avançada, onde dos boxes, o engenheiro pode resolver problemas do carro, resumindo, um carro muito mais fácil de guiar, tanto que atualmente as regras proibiram alguns dos itens citados, para dificultar a vida do piloto. Outro fato é que Schumacher e Ferrari reinaram absolutas durante esse tempo, não havia carro ou piloto que conseguissem competir, alem dos bons escudeiros impostos por contrato, Irvine e Barrichelo. Não conto o Massa nessa lista, pois quando ele chegou na Ferrari, foi quase que para substituir o Schumacher. Sem falar que as vezes ele tinha atitudes dignas do Dick Vigarista. É um gênio das pistas e por isso foi heptacampeão.

Apesar de contente com um filme sobre um ídolo que pouco vi, pois nasci em 86 e quando comecei a tomar gosto por assistir F1 foi em meados de 92, dois anos antes de sua morte, eu considero o Senna o maior piloto que vi, e um herói, exemplo de ser humano e de patriotismo. O fato da produção de um filme sobre sua vida, extrapola esse significado de forma mundial, fazendo com que o Senna seja um exemplo de vida seja você um americano, japonês ou alemão. E com isso vem a pergunta. Onde estão os nossos heróis?

Onde estão nossos mitos? Temos alguns poucos, mas o povo brasileiro adora ignora-los, diminuir sua importância. Parece que todo brasileiro é safado, não presta, é ladrão. Não existe valorização do que é feito em nosso país. Nosso patriotismo só existe a cada quatro anos e esporadicamente de dois em dois, contando o intervalo entre olimpíadas e copa do mundo. Temos que aproveitar o momento muito patriótico em que vivemos para alavancar o sentimento de ser brasileiro.

Esse sentimento não é só torcer por nosso país nos esportes. É cobrar dos políticos uma atitude digna, é ser solidário, justo, honesto, é reconhecer quem faz o bem para o país e divulgar a nossa marca no mundo e nesse quesito eu acrescento o Pelé, que é um mito que temos, e o nosso presidente Lula. Ambos apesar das gafes, que só acontecem por serem de origem humilde, são símbolos genuinamente brasileiros, e que deveria ser dado como exemplo por todos nós. Símbolos daquele que não tinha nada e lutou para conseguir alguma coisa na vida. Temos que lembrar também da mãe de três filhos que sai as 5 da manhã para trabalhar, pega três ônibus a cada viagem e ganha um salário mínimo, ou do Zé que trabalha na obra como pedreiro, que veio do nordeste para o sudeste, deixando família, e que mora no morro, ou do rapaz que busca uma formação em nossas escolas públicas, que não dão condições para um aprendizado eficiente, e ele insiste nela, para não ser mais um traficante.

Para esse rapaz que comentou, as coisas não são diferentes. Ou ele esqueceu, ou não sabe o que foi o mito Ayrton Senna, um cara que usava seu dinheiro também para ajudar os outros, vide Instituto Ayrton Senna, um projeto que começou antes de sua morte, e foi deixado como legado de sua vida.

Os heróis morrem duas vezes. Uma de verdade, e outra quando caem no esquecimento. Mas enquanto ainda o temos vivo na memória, temos que usar seu exemplo para tentar perpetuar sua existência, ou quem sabe um dia possamos nos tornar o herói das gerações futuras, nem que seja de apenas uma ou duas pessoas.

Espero que esse filme ajude a não deixar o Senna morrer pela segunda vez.
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