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Carta à Deus

March 12th, 2009 Leonardo Monteiro 5 comments

Caro Deus:

Perdoe-me por tratá-lo apenas pelo primeiro nome. Em todos os livros que procurei, não encontrei seu nome completo. Também me perdoe por utilizar este meio um tanto antiquado, tentei um endereço de e-mail, mas não  encontrei nenhuma informação a respeito, tenho uma dúvida: Deus é um nome, cargo ou título? Bom deixa para lá, talvez não seja tão importante assim, desde que esta carta chegue ao destinatário.

Lá se vão anos desde que comecei a tentar entender a relação do Senhor com os seres humanos. Excluí, de propósito, os outros seres vivos, pois parece que estes não têm alma ou não merecem um lugar ao seu lado. Pelo menos nunca ouvi falar que um cachorro tenha morrido e ido para o céu.

Um dia encontrei um homem sem pernas e braços o coitado dependia de muitos para se locomover, comer e ir ao banheiro o único ato  de que era capaz, sem ajuda de outros, era dormir ou ficar parado com o olhar distante, talvez vivendo de sonhos. Perguntei a um religioso, por que o meu bom Deus havia deixado que algo tão terrível tivesse acontecido àquele homem, este me respondeu que provavelmente este havia feito algo muito ruim em outra vida.

Assistindo televisão vi uma reportagem sobre as crianças na África que morrem de fome, uma delas tinha seu esqueleto coberto por uma fina película de pele negra, que deixava a vista todos os seus ossos onde moscas famintas sobrevoavam talvez já tendo sido avisadas pelo meu bom Deus do que iria acontecer em breve, pensei comigo: o que esta alma teria feito de tão ruim em outra vida para merecer um fim assim, encontrei também um político poderoso, feliz e muito rico, rodeado de mulheres lindas e por mais que este prejudicasse as pessoas da sociedade em que vivia tudo era ajeitado pelos seus correligionários e nenhuma punição ele recebia, o que este fez de tão bom na outra vida para que o Senhor desse a ele uma vida tão generosa.

Ontem uma mulher me disse que há alguns anos atrás, não fosse pelo Senhor, ela não teria sobrevivido a um grave acidente automobilístico, mas meu bom Deus, não teria sido melhor, mais fácil e causado menos transtorno, se o  Senhor tivesse evitado o acidente? Não teria sido melhor, no caso do homem sem os membros e da criança, que o Senhor os alertasse que iriam pagar na próxima vida se cometessem algum erro?

Pensando sobre isto, cheguei a uma conclusão, acho que o Senhor sofre de tédio, sim, tédio e age desta maneira para ter algum divertimento. Pelos relatos que tenho escutado a vida aí no céu é sem graça, com aqueles anjinhos pentelos sendo levados por nuvens brancas e frias de um lado para o outro, aquelas mulheres virgens sem nenhum desejo no corpo escutando músicas sacras o tempo todo. Acho que o meu bom Deus deveria fazer uma visita ao inferno, as coisas lá parecem ser mais interessantes, tem calor, as cores são mais vivas as pessoas são más, sem dúvida, mas intensas, não se escondem no manto branco da bondade para então serem sarcásticas e causarem tanto sofrimento às pessoas aqui na terra. È difícil aceitar que algumas pessoas, que não fazem mal a ninguém, sofram tanto e algumas, que insistem em prejudicar vidas alheias, levem uma vida confortável, é difícil aceitar que um ser tão poderoso e que criou uma natureza tão maravilhosa em apenas sete dias, possa permitir tanta destruição e sofrimento no mundo.

Sei que o meu bom Deus talvez me castigue por tudo que estou lhe escrevendo, mas sabe de uma coisa, prefiro que me mande para o inferno, quero chegar à porta e já encontrar uma diabona de fio dental sambando e me chamando para uma noite de orgia, quero jogar fora todas as blusas de frio e só andar de calção de banho, ter que lutar o tempo todo? Sim, mas sei que nunca serei punido por algo que tenha feito. Beba, xingue, grite, a única regra é que não existe regra, lá não existe o certo e o errado, o lema é: faça aquilo que lhe der na cabeça, não tem problema, você já está no inferno mesmo.

Um bom dia para o Senhor.

Atenciosamente,

Edvaldo de Castro.

Creative Commons License
Carta à Deus by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Os Cocos de Búzios

January 31st, 2009 Leonardo Monteiro 3 comments

Búzios

Nas Férias de Dezembro de 2008 fui para a famosa cidade de Búzios. Esta cidade se tornou famosa depois que, em 1964 uma renomada atriz francesa, Brigitte Bardot,  fez dela  sua cidade favorita para passar suas férias. É conhecida por ser uma cidade frequentada  pela classe média alta e alta do Brasil além de receber centenas de turistas estrangeiros, devido a isto Búzios é uma cidade cara, o que, em geral, afugenta as pessoas de classe social mais baixa.

Chegando lá fui logo para a praia de Geribá, uma das mais badaladas de Búzios. Manhã cedinho, fui de calção novo, especialmente comprado para aquela cidade, afinal de contas a alta sociedade estaria lá. Passando pelo portal de acesso à areia me deparei com um visual lindo, com a maré ainda baixa, o mar ainda muito calmo. A esquerda da praia vi inúmeras gaivotas pousadas na água a beira da areia aguardando as sobras de peixes jogadas por pescadores que tinham acabado de aportar  trazendo peixes frescos para serem comercializados. A praia naquele momento estava limpa e ainda se podia ver um trator repleto de lixo e vários garis deixando o local. Passei um dia maravilhoso, um céu azul contrastado por um sol amarelo brilhante. O calor era forte minimizado pela temperatura baixa da água e pelo vento que soprava ininterruptamente. Tomei lugar numa mesa com guarda-sol, entre as centenas que povoavam a areia da praia e que eram fornecidas pelos restaurantes do local. Ao longo do dia foi só isto, sol, mar, água de coco, cerveja, e outros petiscos e circundado por pessoas utilizando relógios e óculos importados e alguns portando cordões de ouro de algumas centenas de dólares. Senti-me um pouco constrangido por não possuir símbolos que me colocassem ao mesmo nível social daqueles.

Lá pelas tantas, resolvi ir para casa almoçar, pedi a conta ao rapaz do restaurante, e no caminho levei todo o lixo gerado por mim e joguei numa caçamba da prefeitura que estava posicionada no alto da praia. No final da tarde resolvi voltar na praia para curtir o final do dia e ver como seria o por do sol em Búzios. Quando passei pelo portal tive um choque, centenas de cocos, copos descartáveis e guardanapos estavam espalhados pela areia nos  locais antes ocupados pelas mesas e seus frequentadores, só escaparam as latinhas, pois são recolhidas pelos catadores de latas. O visual era completamente diferente daquele visto pela manhã, lembrava bastante um aterro sanitário com cachorros correndo e brincando por entre os cocos em busca de algum resto alimentar.

Isto me fez refletir sobre a sociedade brasileira. Como pessoas da alta sociedade, tão educadas, viajadas e frequentadoras daquela praia podiam largar o lixo gerado por eles no chão, como os donos dos restaurantes, que também são pessoas do mais alto nível, não se preocuparam em recolher todo aquele lixo, pois, afinal de contas foram eles que o produziram, é mais ou menos pensar em ir a um restaurante e chegando lá no final do dia encontrar todos os pratos copos e talheres sujos jogados pelo chão. Também não entendo como o prefeito da cidade não institui uma norma de utilização da areia pelos restaurantes onde cada um teria que recolher o lixo gerado por eles com pena de receber multas pesadas ou até perder a licença, ao invés disto este prefere gastar mais dinheiro contratando vários garis para fazer a limpeza da praia pela manhã, quando ele poderia apenas recolher as caçambas de lixo, o que seria mais rápido e demandaria menos tempo e pessoal.

Cheguei à conclusão que a consciência coletiva em tratar o bem público tem muito pouco a ver com a condição social das pessoas. Tenho fé que um dia, nós brasileiros, teremos esta consciência e chegará o dia em que nossos rios, praias e lagoas estarão despoluídos, nossas ruas limpas e que cada um cuidará do bem público como sendo seu, pois na verdade ele é  nosso, só não conseguimos ainda perceber esta realidade no mundinho  em  que  vivemos.

Edvaldo de Castro

Janeiro 2009
Creative Commons License
Os cocos de Búzios by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Para estreiar o blog…

January 11th, 2009 Leonardo Monteiro No comments

A formiguinha que queria voar


No alto de um precipício ,numa floresta tropical, havia um formigueiro de formigas saúvas.Neste formigueiro nasceu uma formiguinha chamada Marronzinho. Como cada formiga em um formigueiro tem uma função, a do Marronzinho  era alimentar as larvas.Durante anos está foi sua vida, apenas alimentar as larvas, sem sequer sair de dentro do formigueiro.

Um dia, Marronzinho perguntou à sua mãe:

-Mãe, eu gostaria de começar a buscar folhas, ja estou cansado de fazer a mesma coisa.

Sua Mãe respondeu:

- Não Marronzinho, sua função aqui e só alimentar as larvas e assim será para o resto de sua vida. Isto é o certo.

Marronzinho abaixou as anteninhas e voltou à função que lhe fora atribuída.

Por vezes, Marronzinho sentia algo estranho em seu coração, ficava triste, mas logo depois lembrava que o certo era fazer aquilo e voltava ao seu trabalho. Porém, com o passar dos anos, Marronzinho começou a se tornar  uma formiga sem alegria e mal humorada. Ninguém surportava Marronzinho,- Este cara é esquisito- diziam as outras formigas.  Brigava com todos, nada estava bem, só via coisas negativas na vida. Até que um dia ele resolveu acabar com tudo. Decidira dar um fim á sua existência. Afinal de contas, se viver era ficar alimentando larvas todos os dias, então seria melhor acabar com tudo. Marronzinho foi até a beira do precipício, olhou para o  formigueiro que fora seu lar e se despediu da vida se jogando lá de cima.

Entretanto, o vento que soprava  encosta acima , fez com que Marronzinho subisse ao invés de cair, alcançando uma  boa altura antes de ser deixado carinhosamente pelo vento próximo ao formigueiro.

- Nossa ! como é bonito ver as coisas lá de cima – Disse Marronzinho.

- Gostaria de poder voar, mas como conseguir, eu não tenho asas!

Imediatamente, Marronzinho começou a vagar pela floresta procurando uma maneira de voar. Por dias ele fez isto. Já havia até esquecido que queria morrer, tamanha fora a excitação que sentira por ter visto, mesmo que por alguns instantes, a floresta lá de cima.

Algumas formigas de outros formigueiros que o encontravam pela floresta diziam:

-Marronzinho, volta para o seu formigueiro, você morrerá sozinho na floresta.Você está louco?- O que ele fizera havia se espalhado por toda a floresta. Todos sabiam que havia tentado o suicídio e abandonado o formigueiro. Mas Marronzinho não ligava, afinal havia descoberto algo que o fizera ter vontade de viver novamente.

Um dia Marronzinho encontrou um tigre:

- Oi seu tigre! Como está o senhor?

- Eu estou bem.Vocês estão sempre em bando, onde estão os outros?

- Eu estou sozinho. Mas e o senhor, cadê os outros?

- Que outros, o certo e viver sozinho.

- Ham? Sozinho? Mas minha mãe me disse que o certo e viver com os outros

- Não, o certo e viver sozinho. E olha, vai embora daqui que eu não gosto muito de fazer amigos.

Marronzinho acelerou o passo e desapareceu dos olhos do tigre. Mas algo ficou em sua mente:

- Qual é o certo então, viver sozinho ou com os outros?

Marronzinho estava confuso com o que o tigre havia lhe dito.

Continuando sua caminhada pela floresta, se deparou com um bicho esquisito. Ele tinha uma tromba enorme em forma de funil e não tinha boca- Era o tamanduá. Assim que este viu Marronzinho, esticou a tromba até ele e começou a sugar. O vento provocado, arrastava tudo em volta , folhas e pedras . Marronzinho se viu dragado até a tromba do tamanduá.

- Moço, porque está fazendo isto – gritava Marronzinho, colocando suas patinhas na entrada da tromba, impedindo assim de ser sugado para o estômago daquele bicho estranho.

- Me solta, seu aspirador gigante! Continuava a gritar.

Até que o tamanduá necessitando de mais ar para uma segunda aspirada, deixou Marronzinho cair . Este correu o mais que pode , mas infelizmente o tamanduá já estava atrás dele e aspirando novamente . Se agarrava a tudo que podia para não ser devorado. Marronzinho já não enxergava direito devido a poeira que se acumulava em seus olhos e continuava a correr desesperadamente sem que  conseguissse se desvencilhar do tamanduá. Mais a frente, ele viu uma árvore e sem pensar duas vezes subiu até alcançar um galho, se livrando enfim daquele bicho horrendo.

A respiração de Marronzinho era tão alta e ofegante que acabou chamando a atenção de um outro bicho, o camaleão

- Comida fácil- disse o camaleão, que já apontava sua lingua pegajosa em direção àquela formiguinha.

Marronzinho, olhando pelo canto dos olhos e ainda com a respiração ofegante, percebeu aquela enorme lingua gosmenta sendo lançada em sua direção

- Ai! Vai começar de novo. Disse apavorado.

A língua o pegou e Marronzinho estava sendo levado diretamente para a boca daquele camaleão.Iria virar um belo aperitivo cansado, mas  Marronzinho estava com sorte. Como estava cheio de poeira da fuga do tamanduá, acabou escorregando da língua e caiu no chão da floresta.

Desta vez porém, não teve tanta sorte. Havia quebrado uma das patinhas dianteiras.

- Isso Dóiiii! Resmungou .

Estava exausto de  tanto tentar fugir e lutar pela sua vida, mas parecia que por aquele momento não havia mais nenhum perigo imediato, o que o levou a entrar debaixo de um galho de árvore e dormir um pouco.

No outro dia, Marronzinho começou novamente sua busca por um meio de voar. Agora mancando, encontrou então uma lagarta que se arrastava pelo chão da floresta. A primeira reação foi de se esconder, mas depois pensou:

- Ela não tem nariz grande e nem aquela língua gosmenta. Vou falar com ela.

-Oi dona lagarta!

- Oi . Você é Marronzinho, aquela formiga que abandonou o formigueiro e tentou se suicidar?

- È! Sou sim

- Ham, sei!

- Dona lagarta eu já estou a vários dias tentando encontrar uma maneira de voar e não consigo, a floresta é muito perigosa e não sei se conseguirei sobreviver mais um dia aqui. A senhora sabe quem pode me ensinar a voar?

- Olha Marronzinho,  se tiver um pouco de paciência eu poderei te falar sobre isto, mas vai ter que esperar uns dias.

- Tá bom dona lagarta eu espero. O que a senhora vai fazer agora?

- Apenas olhe e tenha paciência.

Ali ficou Marronzinho, vendo aquela lagarta se pendurar em um galho de árvore, tecer uma rede em volta de si mesma e aparentemente morrer. Dias se passaram e Marronzinho já estava impaciente, mas algo dentro dele dizia: Tenha paciência

- Dona lagarta! A senhora está me escutando? Dona lagarta! Dona lagaaarta!

A lagarta não respondia.

- Será que ela morreu? Se perguntava Marronzinho impaciente.

Então algo começou a se mexer dentro do casulo. Isto chamou a atenção de Marronzinho que não desgrudava os olhos da árvore.

Uma borboleta havia nascido.

Marronzinho pensou:

- Ué! Cadê a dona lagarta!. Dona borboleta cadê a dona lagarta que estava aí dentro?

- Oi Marronzinho, ainda sou eu, apenas me transformei em uma borboleta.

Marronzinho maravilhado com aquela descoberta, subiu, ainda que mancando, até àquele galho de árvore e se pendurou de cabeça para baixo.

- Marronzinho, saia daí o que  você está fazendo!

- Ué! Vou me transformar em uma borboleta também.

- Não dá Marronzinho, você é uma formiga

- Se você conseguiu eu também consigo

E continuou pendurado de cabeça para baixo, na esperança de poder tecer uma rede.

- Desça daí Marronzinho vamos conversar. Vem aqui vem!

- Tá bom dona lagarta.

- Não sou mais uma lagarta, agora sou uma borboleta. Olha Marronzinho, você nunca poderá ser uma borboleta, mas isto não te impedirá de voar. Vamos fazer o seguinte…

- O que dona lagar.. borboleta.

- Sobe nas minhas costas.

Assim foi, Marronzinho subiu nas costas da borboleta e começaram um vôo.

Os olhos de Marronzinho brilhavam, as anteninhas esticadas para cima cortavam o vento. Ele estava finalmente voando. Tudo era lindo lá de cima, o vale, as montanhas os rios. Marronzinho mal podia falar, chorava e ria ao mesmo tempo. Finalmente ele havia conseguido o que tanto desejava: Voar. Agora tudo fazia sentido, um peso enorme havia sido retirado de suas costas. Tudo pelo que passou de ruim em sua busca já não tinha a menor importância, o importante é que agora ele estava voando e estava feliz. A borboleta o havia levado pelos quatro cantos do mundo. Agora Marronzinho conhecia tudo, aquela tristeza desaparecera. O seu coração estava alimentado de vida.

Voltaram depois de muitos anos para a floresta e Marronzinho, como sempre curioso, começou a questionar sobre algumas coisas que o deixara confuso quando conversou com o tigre.

- Azulzinha- era como ele chamava a borboleta- um dia eu encontrei o tigre que me disse que o certo era viver sozinho, mas minha mãe sempre me disse que o certo era viver com os outros. Afinal o que é certo?

- Nada é certo e tudo é certo Marronzinho.

- Shiii.. pirou- Pensou Marronzinho ao mesmo tempo que coçava a cabeça com as antenas.

-Depende para quem você vai perguntar. Os indivíduos quando se reúnem criam regras para que as coisas fiquem mais previsíveis. Então o que é certo em um grupo de indivíduos e errado para outros. Não existe o certo absoluto somente o certo relativo. Para o tamanduá era certo te comer , para o tigre viver sozinho, para sua mãe viver com os outros.

- Tá bom, já entendi. Azulzinha eu quero ver minha mãe e meus irmãos no formigueiro,

vem comigo!

- Tá bom Marronzinho eu vou.

Chegando no formigueiro, Marronzinho encontrou sua mãe e seus irmãos que o receberam com alegria e toques de antenas. Marronzinho apresentou sua amiga Azulzinha e contou tudo que fez pelo mundo. Sua mãe disse:

-Você realmente enlouqueceu Marronzinho.

Então, pediu a sua mãe para voltar á trabalhar alimentando as larvas.

Agora Marronzinho não tinha mais áquela sensação de tristeza, sua alma estava livre e ele podia voltar a voar e passear pela floresta sempre que quizesse, aliás o formigueiro nunca o havia impedido disto. Era apenas a crença do certo e errado que o havia mantido em cativeiro por tanto tempo. Não era a prisão física que o estava matando , mas sim a do coração. E a chave estava dentro dele mesmo.

Créditos a Edvaldo de Castro
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A Formiguinha Que Queria Voar by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.