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Voltando a falar da lei seca

January 28th, 2010 Rodrigo Souza 31 comments

Logo da Lei Seca modificado

Bom, caros amigos, recentemente tivemos um post sobre a lei seca e felizmente para o blog ele teve uma boa repercussão, com a presença do Carlos Alberto Lopes,  subsecretário do estado e coordenador geral da lei seca participando conosco. O secretário ficou sabendo do texto através de algum colaborador, e interrompeu momentaneamente suas férias, um momento de lazer com seu filho que mora fora do país, para nos responder, mesmo com seu filho pedindo para não responder, dizendo que era besteira dele fazer isso.

Essa visita do secretario gerou uma enorme surpresa para todos nós e gerou um contato entre o blog e o secretário. Depois de alguns e-mails trocados recebemos um convite para conhecê-lo e saber mais de perto como funciona a operação Lei Seca, faremos aqui um resumo do encontro para você leitor do Blog.

Para começar podemos falar de um protesto que tomava conta da entrada do palácio da Guanabara, onde manifestantes protestavam sobre falta de água em mesquita, após essa chegada um pouco conturbada entramos e tivemos uma boa recepção o que nos levou ao prédio anexo, pois o Palácio da Guanabara está em obras. Quando chegamos no andar para que fomos encaminhados, havia uma mesa para a recepcionista mas não havia recepcionista, tivemos que entrar no escritório e com ajuda de uma funcionária, conseguimos achar nosso destino. Após esse pequeno trasntorno, fomos bem recebidos e demos início a reunião. É bom que se diga aqui que foi muito interessante e proveitosa.

Durante a reunião recebemos diversos elogios pelo texto, pelo nosso comprometimento e interesse no projeto que como foi dito no post anterior vem salvando vidas. O motivo desse elogio era em relação à nossa idade, visto que os jovens são responsáveis por diversos acidentes no trânsito envolvendo bebidas. Para o secretário que tem 6 filhos e segundo ele o mesmo acontece com o governador, é de fundamental importância que outros jovens sigam o nosso exemplo e levem a sério a operação, que de certo ponto de vista obteve um sucesso, durante a reunião ele mencionou que o governador de Tocantins esteve presente no RJ pessoalmente com o interesse de implantar a operação em seu estado que atravessa um grave problema com um número elevado de acidentes. Não só ele, mas muitos estados em todo o Brasil estão interessados em implantar o sistema, sinal de que o projeto realmente obteve o sucesso esperado e deve sim ser levado a sério. Nessa reunião recebemos uns dados e divulgaremos agora abaixo:

A Lei Seca é um projeto que funciona pois é feito de maneira correta e por pessoas sérias. Torçamos para que novos projetos como esse sejam criados de maneira correta por pessoas que levem a política a sério, tanto que a estrutura do projeto será exportada para outros projetos do governo do estado, como foi divulgado pelo portal G1 no dia  28 de janeiro.

Um motivação para este post foi um pedido do próprio Carlos Alberto Lopes para divulgarmos o sucesso da operação, e como as coisas boas devem ser divulgadas, o post está escrito como prometemos. Ele nos garantiu que erros de abordagem, como o exemplo descrito no post anterior, não deverão mais acontecer, pois o pilar do treinamento dos agentes é a abordagem cidadã, sempre com respeito e transparência.

Esperamos com isso, colaborar para a conscientização da população. Se beber, nunca dirija.

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Voltando a falar da lei seca by Rodrigo Souza, Rodrigo Fernandes e Antonio Neves is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Multado na Lei Seca – um balanço do primeiro ano da operação

January 8th, 2010 Rodrigo Souza 8 comments

lei secaEstou com esse post engasgado já tem algum tempo, e aproveito a divulgação do  balanço do primeiro ano da operação lei seca para fazer uma análise profunda, do ponto de vista de um motorista e morador da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o site do RJTV , até o primeiro dia do ano, foram abordados 130.347 motoristas, com 10.449 habilitações apreendidas, 640 presos e 25.821 multas no estado. Não sei quanto às outras 25.820 multas, mas uma dela foi causada por um despreparo ou talvez alguma situação particular, um dia infeliz ou qualquer coisa semelhante que levou um policial agir de uma forma opressiva, me aplicando uma multa por “desobedecer às ordens emanadas da autoridade competente de transito ou seus agentes”.

Era uma quarta-feira, e uns amigos estavam se apresentando na final de um festival de bandas em um lugar que não lembro da zona sul. Eu fui de carona e não bebi nada. Na volta, o Antônio, que também escreve no CAELIS, pediu para que eu levasse o carro dele, pois tinha bebido e assim a idéia era evitar problemas com blitz. Chegando na Gávea, próximo a PUC, a blitz estava armada e um policial, com um fuzil, mandou que eu reduzisse a velocidade. Não sei se na Lei seca, todos os carros são parados e os motoristas obrigados a fazer o teste. Numa blitz comum, os policiais param os carros aleatoriamente, observando o comportamento dos ocupantes. Eu parei ainda na rua, o policial abaixou pra olhar dentro do veiculo pelo lado do carona. Levantou-se, e falou algo que foi indecifrável no primeiro momento e que foi entendido por todos no carro como um “pode seguir”, e assim eu estava fazendo até o sujeito praticamente pular no capô com o fuzil apontado para a minha cara e me xingar, dizendo que tinha mandado eu encostar.

Eu tentei argumentar, mas o infeliz quis me aplicar a multa. Fiz o teste do bafômetro e provei que não tinha motivos para furar a blitz. Ainda tentei argumentar com o rapaz que fez o teste, mas nada ele podia fazer. Após liberado, vimos que o túnel que leva a autoestrada lagoa-barra estava fechado e tivemos que contornar o morro pela avenida Niemeyer. Logo na entrada, uma outra blitz. Desta vez não era da Lei seca, mas para busca de drogas e armas, como geralmente são as operações desse tipo da PM. A atitude também foi outra. A abordagem do policial totalmente diferente. Falou pelo lado do motorista, de forma clara, atendendo até com certo bom humor e sem oprimir um cidadão desarmado. Depois de tudo certo, seguimos viagem. A multa chegou na casa do Antônio e devido à falta de tempo de ambos, não consegui recorrer. Hoje estou devendo ao estado e com cinco pontos na carteira.

A matéria do RJTV também fala que a Barra da Tijuca é o lugar com o segundo maior índice de acidentes do município. Mas quando há blitz na avenida das Américas, exceto fim de semana, segundo relatos, ela só é realizada na pista central, ou seja, bêbados que saem do Downtown (um shopping que possui uma grande concentração de bares e restaurantes), se seguirem na pista lateral não serão abordados. Eu, mesmo evitando álcool e direção, prefiro seguir por essa pista, porque é certo que chegarei mais rápido, pois a blitz deixa um engarrafamento considerável.

Do ponto de vista do cidadão, acho que é valido a fiscalização, mas um investimento em treinamento dos agentes e uma boa estratégia na localização das operações seriam bem-vindas. Discutir se a lei é excessiva ou não, já ficou para trás e não vale a pena levantar esse assunto. O que vale a pena discutir é que o cumprimento da lei gerou uma economia de 100 milhões de reais, com a diminuição de atendimentos hospitalares e outros gastos públicos gerados por acidentes de transito. Esse dinheiro poderia ser utilizado para melhoria da saúde ou quem sabe, na operação protesto criada após o surgimento da lei seca, a operação asfalto liso. Basta deixar como argumento que uma rua bem pavimentada também evita acidentes e ajuda o cidadão economizar na conta da oficina mecânica.

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Multado na Lei Seca – um balanço do primeiro ano da operação by Rodrigo Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Update:

E-mail recebido de Carlos Alberto Lopes (Coordenador Geral da Lei Seca) com os dados da mesma no ano de 2009.

Abre aspas:

Tenho a grata satisfação de informar que pelo 9o mês consecutivo (dezembro) , conseguimos evitar que 421 pessoas fossem vitimadas no trânsito, com ferimentos, mutilações e/ou mortes. De 1o de abril a 31 de dezembro de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, já são menos 3.701vítimas.

IMPORTANTE FRISAR QUE ENQUANTO O RIO DE JANEIRO AO LONGO DESSES 9 MESES VEM DIMINUINDO SIGNIFICATIVAMENTE O NÚMERO DE VÍTIMAS, TEMOS CONHECIMENTO, ATRAVÉS DOS DADOS ESTATÍSTICOS DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, EM RELAÇÃO AOS ANOS DE 2008 E 2009 QUE, NO BRASIL, HOUVE UM AUMENTO DESSES NÚMEROS, A SABER:

JANEIRO A DEZEMBRO:
2008
ACIDENTES: 134.452; FERIDOS: 77.486;  MORTOS: 6.590
2009
ACIDENTES: 151.172; FERIDOS: 88.885; MORTOS: 7.022

OU SEJA: MAIS 16.720 ACIDENTES (12,5%); MAIS 8.399 FERIDOS (11%); E MAIS 432 MORTOS (6,5%).
É O ESTADO DO RIO DE JANEIRO LIDERANDO EM MAIS UM SEGMENTO, ATRAVÉS DE UMA POLÍTICA PÚBLICA, CHANCELADA PELO CHEFE DO PODER EXECUTIVO, EM UMA DAS MAIS GRAVES QUESTÕES MUNDIAIS, QUE FERE, MUTILA E MATA MAIS DO QUE EM GUERRAS, COM CERCA DE 1 MILHÃO E 300 MIL MORTES ANUAIS NO TRÂNSITO, SÓ SUPERADAS PELAS DOENÇAS DE CORAÇÃO E DE CANCER.

GOSTARIA DE INFORMAR-LHE QUE AS MAIORES LIDERANÇAS MUNDIAIS ESTÃO EXTREMAMENTE PREOCUPADAS COM ESTA QUESTÃO, A MAIS RECENTE DELAS, O PRESIDENTE RUSSO, QUE ESTÁ DEFLAGRANDO MEDIDAS DURAS CONTRA AQUELES QUE BEBEM E VÃO DIRIGIR.

A RAZÃO BÁSICA DO ÊXITO DO RIO DE JANEIRO NESSE MISTER É TER ESTABELECIDO A OPERAÇÃO LEI SECA COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA DE GOVERNO,  DE CARÁTER PERMANENTE, COM AÇÕES DESENVOLVIDAS TODOS OS DIAS DA SEMANA, QUE VÃO ATÉ O ÚLTIMO DIA DA ATUAL GESTÃO GOVERNAMENTAL, COM O ÚNICO OBJETIVO DE PRESERVAR A VIDA HUMANA; POLÍTICA PÚBLICA QUE FOI OBJETO, INCLUSIVE, DE RECONHECIMENTO PELA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, QUE A RECOMENDOU PARA DIVERSOS PAÍSES, SOBRETUDO OS DA LÍNGUA PORTUGUESA, O QUE NOS ANIMA E ENVAIDECE NO BOM SENTIDO DA PALAVRA, PORQUE TEMOS CONSCIÊNCIA QUE ESTAMOS PRESERVANDO O QUE HÁ DE MAIS IMPORTANTE QUE É A VIDA HUMANA.

NESSE SENTIDO, GANHA RELEVÂNCIA O APOIO DA MÍDIA, QUE TEM ESTADO AO NOSSO LADO HÁ 9 MESES, DIVULGANDO OS NÚMEROS TRÁGICOS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO BRASIL, COM 40 MIL MORTES ANUAIS, E NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ONDE, EM 2008, 35 MIL PESSOAS FICARAM FERIDAS E 2.500 MORRERAM; NÚMEROS QUE A SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO CONHECIA OU NÃO SE DAVA CONTA COTIDIANAMENTE,  NUM PROCESSO DE CONSCIENTIZAÇÃO GRADATIVA E COLETIVA; MÍDIA A QUAL RENDEMOS AS NOSSAS HOMENAGENS E AGRADECIMENTOS POR ESTAR NOS AJUDANDO, VERDADEIRAMENTE A SALVAR VIDAS.