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Vamos à praia?

January 18th, 2010 Rodrigo Souza 7 comments

desenhado por Rodrigo

Janeiro, auge do verão! A estação mais adorada pelos cariocas (salvo exceções). Época de calor, praias lotadas, água de coco a beira mar… Eu, como bom carioca, gosto de praia, mas fico revoltado em ver toda vez que vou e vejo muita sujeira na areia.
Quem freqüenta a praia, sabe onde ficam os famosos farofeiros, os fanfarrões, que levam a casa para praia. São os locais mais cheios, onde existem pontos de ônibus que chegam do subúrbio, ou que passam pelas favelas ao redor. Pode parecer preconceito, mas são essas mesmas localidades da praia que ficam absurdamente sujas, mesmo tendo uma lata de lixo enorme e laranja da comlurb a cada cinqüenta metros. Parecem que as mesmas pessoas que moram perto de rios e lá jogam todo resíduo que produzem, deixam tudo na praia, Eles reclamam com o governo que estão sem casa para morar, que a enchente levou tudo e também acham que é obrigação do gari remover o lixo delas. Excluindo-se os lugares com rios de planície, onde de fato não deveria haver moradores, as maiorias das enchentes são causadas por falta de consciência dos moradores da localidade, a mesma falta de consciência que promove esse tipo de atitude nas areias cariocas.

Não estou dizendo que somente pessoas das classes mais baixas que são as “porcas” da praia. Semana passada, passando pela área da reserva, entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, área aonde a maioria dos freqüentadores chegam de carro, (portanto, maior poder aquisitivo) a situação parecia pior, a sujeira era maior ainda.
Como agravante, basta lembrar que a reserva tem esse nome, pois é uma área de proteção ambiental, portanto, deveria ser lixo zero.
Voltando ao foco, as pessoas esquecem, que com o horário de verão, há sol até 19:40 da noite. Se o individuo for à praia e ficar até três da tarde e deixar seu lixo na areia, a outra pessoa que sai do trabalho as cinco eu quiser ir a praia, dar um mergulho antes de voltar pra casa, é obrigado a desviar de copos, cocos, e às vezes espetinhos de madeira, enterrados na areia, que podem causar acidentes. As latinhas de alumínio escapam porque sempre há um catador transeunte e dela tira seu sustento.
Segundo uma matéria da VEJA de julho de 2009, são recolhidas 2 600 toneladas de lixo por mês nas praias cariocas durante o verão. O habito de deixar lixo na praia atrai animais para areia, que podem causar doenças, como os pombos, por exemplo. Um monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostra que em toda a orla da Zona Sul as areias estão infestadas de parasitas causadoras de verminoses como bicho-geográfico, lombriga, solitária e oxiúro, além de indicar fezes de animais, como cachorros e os já citados pombos.
A galera fica preocupada com a qualidade da água, mas esquece que a areia é a parte mais importante da praia, portanto, na próxima vez que for a praia, pense no próximo e carregue seus resíduos.

Obs 1: O tema é recorrente no blog. Em janeiro de 2009, o Leonardo postou o texto “Os Cocos de Búzios” que tratava basicamente da mesma coisa: Lixo na areia e o fato de só latinhas de alumínio sumirem rapidamente.
Obs 2: Existe uma ONG que atua em mais de cinqüenta paises, com um programa chamado Bandeira Azul, cujo objetivo é certificar as praias a partir de uma lista com 29 itens. As condições sanitárias dessa lista são mais rígidas das que o Brasil exige. 3200 praias são consideradas as mais bem cuidadas do mundo. Nenhuma brasileira.

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Vamos à praia? by Rodrigo Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Update

Segundo o comentário do Sr. Alan, do tempo em que foi publicado o texto que consultei na VEJA até hoje, a praia de Jurerê Internacional, em Santa Catarina, conseguiu a certificação do programa Bandeira Azul, sendo a primeira praia da América do Sul a conseguir tal feito.

Os Cocos de Búzios

January 31st, 2009 Leonardo Monteiro 3 comments

Búzios

Nas Férias de Dezembro de 2008 fui para a famosa cidade de Búzios. Esta cidade se tornou famosa depois que, em 1964 uma renomada atriz francesa, Brigitte Bardot,  fez dela  sua cidade favorita para passar suas férias. É conhecida por ser uma cidade frequentada  pela classe média alta e alta do Brasil além de receber centenas de turistas estrangeiros, devido a isto Búzios é uma cidade cara, o que, em geral, afugenta as pessoas de classe social mais baixa.

Chegando lá fui logo para a praia de Geribá, uma das mais badaladas de Búzios. Manhã cedinho, fui de calção novo, especialmente comprado para aquela cidade, afinal de contas a alta sociedade estaria lá. Passando pelo portal de acesso à areia me deparei com um visual lindo, com a maré ainda baixa, o mar ainda muito calmo. A esquerda da praia vi inúmeras gaivotas pousadas na água a beira da areia aguardando as sobras de peixes jogadas por pescadores que tinham acabado de aportar  trazendo peixes frescos para serem comercializados. A praia naquele momento estava limpa e ainda se podia ver um trator repleto de lixo e vários garis deixando o local. Passei um dia maravilhoso, um céu azul contrastado por um sol amarelo brilhante. O calor era forte minimizado pela temperatura baixa da água e pelo vento que soprava ininterruptamente. Tomei lugar numa mesa com guarda-sol, entre as centenas que povoavam a areia da praia e que eram fornecidas pelos restaurantes do local. Ao longo do dia foi só isto, sol, mar, água de coco, cerveja, e outros petiscos e circundado por pessoas utilizando relógios e óculos importados e alguns portando cordões de ouro de algumas centenas de dólares. Senti-me um pouco constrangido por não possuir símbolos que me colocassem ao mesmo nível social daqueles.

Lá pelas tantas, resolvi ir para casa almoçar, pedi a conta ao rapaz do restaurante, e no caminho levei todo o lixo gerado por mim e joguei numa caçamba da prefeitura que estava posicionada no alto da praia. No final da tarde resolvi voltar na praia para curtir o final do dia e ver como seria o por do sol em Búzios. Quando passei pelo portal tive um choque, centenas de cocos, copos descartáveis e guardanapos estavam espalhados pela areia nos  locais antes ocupados pelas mesas e seus frequentadores, só escaparam as latinhas, pois são recolhidas pelos catadores de latas. O visual era completamente diferente daquele visto pela manhã, lembrava bastante um aterro sanitário com cachorros correndo e brincando por entre os cocos em busca de algum resto alimentar.

Isto me fez refletir sobre a sociedade brasileira. Como pessoas da alta sociedade, tão educadas, viajadas e frequentadoras daquela praia podiam largar o lixo gerado por eles no chão, como os donos dos restaurantes, que também são pessoas do mais alto nível, não se preocuparam em recolher todo aquele lixo, pois, afinal de contas foram eles que o produziram, é mais ou menos pensar em ir a um restaurante e chegando lá no final do dia encontrar todos os pratos copos e talheres sujos jogados pelo chão. Também não entendo como o prefeito da cidade não institui uma norma de utilização da areia pelos restaurantes onde cada um teria que recolher o lixo gerado por eles com pena de receber multas pesadas ou até perder a licença, ao invés disto este prefere gastar mais dinheiro contratando vários garis para fazer a limpeza da praia pela manhã, quando ele poderia apenas recolher as caçambas de lixo, o que seria mais rápido e demandaria menos tempo e pessoal.

Cheguei à conclusão que a consciência coletiva em tratar o bem público tem muito pouco a ver com a condição social das pessoas. Tenho fé que um dia, nós brasileiros, teremos esta consciência e chegará o dia em que nossos rios, praias e lagoas estarão despoluídos, nossas ruas limpas e que cada um cuidará do bem público como sendo seu, pois na verdade ele é  nosso, só não conseguimos ainda perceber esta realidade no mundinho  em  que  vivemos.

Edvaldo de Castro

Janeiro 2009
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Os cocos de Búzios by Edvaldo de Castro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.