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Manual prático da boa convivência social

February 4th, 2010 Rodrigo Souza 6 comments

Refletindo sobre alguns assuntos tratados nesse blog, principalmente os comentários do segundo texto da Lei Seca e também sobre o que eu ando vendo nas ruas do Rio de Janeiro, como o excesso de lixo nas praias, já comentado por aqui, resolvi preparar esse manual prático mostrando situações que me incomodam e acredito que a outras pessoas também. Situações que poderiam ser evitadas sendo um pouco mais educado e tendo consciência dos atos praticados.

Lembrando que estamos nos preparando para sediar dois mega eventos mundiais. Não basta dizer que o povo brasileiro é hospitaleiro, temos que saber viver em sociedade, o que atualmente parece ser improvável. Não há muito respeito ao próximo, há um pensamento individualista, onde o “eu” importa mais do que o “nós”.

Capítulo 1: No trânsito.

-         Segundo o código nacional de trânsito, os veículos DEVEM trafegar na pista da direita, deixando a da esquerda livre para ultrapassagens. Portanto, se você é um roda presa, por favor, obedeça a lei! Isso também vale para caminhões e ônibus que andam muito abaixo da velocidade permitida na pista da esquerda, forçando uma condução insegura, também conhecida como ultrapassagem pela direita.

-         Sinal amarelo quer dizer ATENÇÃO! O SINAL VAI FECHAR! Então, se você estiver um pouco longe, NÃO ACELERE! Só recomendo acelerar se estiver muito próximo do sinal quando ele virar amarelo, algo próximo de um pouco mais que meio carro de distância no máximo, pois frear nessas condições pode causar acidentes ou fazer com que pare após o sinal, atrapalhando a boa fluidez do trânsito.

-         NÃO ULTRAPASSE O SINAL VERMELHO! Além de ser inseguro, você põe em risco a sua vida, a de outros passageiros em outros veículos e principalmente a vida de pedestres. Mas nessa regra cabem exceções, e somente para a madrugada, mesmo assim com cautela. Locais de grande movimento, nem de madrugada, por favor, exceto se sua segurança estiver em risco.

-         USEM AS SETAS!!! Se vai entrar em alguma rua ou mudar de pista, não importa! Usar a seta é a melhor forma de indicar para onde você vai, e assim o motorista que vem atrás pode tomar a melhor atitude sem sustos.

-         Se alguém  der seta na sua frente, seja educado e dê a passagem! Não seja um corno que acelera somente para evitar ter um carro na sua frente! É uma competitividade que não dá em nada e que se ambos forem competitivos, causa acidentes.

-         Não Jogue lixo pela janela. Dependendo da velocidade em que estiver, seu lixo pode se tornar um projétil e ferir alguém, além de poder assustar quem vem atrás, provocando uma manobra desnecessária. Ande sempre com uma lixeirinha dentro do carro e esvazie quando chegar em casa.

-         Não estacione em local proibido ou em fila dupla. É fato que existem poucas vagas na cidade, mas também num mata ninguém andar um pouquinho mais, se você parar numa rua secundária ou um pouco mais longe de onde você quer ir. Nesse tópico, vale um adendo. Se for buscar seu filho na escola, estacione o carro e vá a pé para frente da escola, não faça fila dupla, tripla. O trânsito agradece.

-         Se estiver engarrafado, não ande pelo acostamento, se houver. Em engarrafamentos sempre há um carro velho que enguiça, e que é empurrado pro acostamento. Se o acostamento virar via expressa, certamente haverá algum atropelado.

-         SE BEBER, NÃO DIRIJA! Temos uma lei rigorosa, portanto, respeite-a. Vá de táxi, de ônibus, de trem, de metrô, de bicicleta. Se o transporte público não te atende, combine com amigos, encha um carro, escolha um para não beber. Se for você, garanto que a noite ainda vai ser divertida, vendo seus amigos bêbados falando besteira. Se não for, volte tranqüilo sabendo que há alguém sóbrio te levando para casa. E se beber, ou estiver de carona com alguém que bebeu, dê graças por não estar no Japão. Lá o motorista bêbado se for pego, leva 5 anos de prisão, e quem estiver de carona leva 3.

-         Está com sono, evite dirigir, se for inevitável, leve alguém com você. Dessa forma há alguém para te alertar caso algo saia do controle. Uma conversa moderada, sem tirar atenção do motorista pode ajudar.

-         Está estressado, irritado com alguma coisa? Não desconte nos outros. Eles não são culpados pelos seus problemas. Não é motivo para sair dirigindo feito um maluco, costurando o trânsito.

Capítulo 2: Andando a pé.

-         Em ruas de grande movimento, evite atravessar fora da faixa ou com o sinal verde para os carros. É mais seguro para todos.

-         Pegou algum flyer, cartãozinho ou propaganda, leu e não se interessou? Guarde até achar alguma lixeira. O mesmo vale pros santinhos de políticos ( que não são nada santos). Estamos em ano eleitoral e em breve os garis terão um trabalho extra.

-         Para complementar o item anterior, se comprou algo pra comer ou beber, não jogue a embalagem no chão. Existem lixeiras espalhadas por ai.

-         Ande sempre pelo canto direito, como se fosse um carro. É como intuitivamente estamos acostumados a andar, mas sempre tem alguém que contraria. Dessa forma evitamos esbarrões ou situações que duas pessoas param de frente e ameaçam ir para o mesmo lado. Escolha sempre ir pra direita, não tem erro.

Capitulo 3: Em shoppings e supermercados.

-         No estacionamento, valem também as regras de trânsito! Usem as setas, parem nos locais demarcados. Se o estacionamento está cheio, paciência! Volte outro dia ou espere. Se já passou o tempo de tolerância, vai ter que pagar mesmo.

-         Dentro do shopping, há pessoas que andam vendo a vitrine, se esse for seu caso, ande próximo a ela. Há também as pessoas com pressa de chegar a alguma loja, restaurante ou cinema. Vale aqui a mesma regra já dita. Deixem passar pelo seu lado esquerdo, em regra irá funcionar, porém pode haver exceções, pois o corredor de shopping há gente indo e vindo em todas as direções. Se estiver com a vitrine do seu lado esquerdo e a pessoa  que está vindo não está interessada, deixe passar pelo seu lado direito, se estiver interessada, provavelmente você que irá desviar e ai o provável é que a pessoa irá passar pelo lado esquerdo.

-         Vai pegar algum produto na gôndola do supermercado? Encoste seu carrinho, deixe a passagem livre. Existem áreas do mercado que é melhor deixar o carrinho encostado e ir pegar o que deseja.

-         No cinema, chegue cedo. Uma fila não mata ninguém. Compre tudo antes do filme começar. Ninguém merece pessoas andando pela sala durante o filme. Se não gostar do filme, não saia. Aproveite o escuro para tirar um cochilo. Apenas respeite quem está interessado. Se for realmente necessário sair, vá pelas escadas do canto se possível. Atrapalhe o mínimo.

Capítulo 4: Na praia ou em parques.

-         Conforme mencionado no texto “vamos a praia”, evite lixo na areia. Consumiu, jogue no lixo. Muitas praias estão com areia imprópria por conta desse lixo que é deixado e atrai animais como pombos e ratos que podem causar doenças.  A secretária municipal de meio ambiente passou a monitorar a qualidade da areia, portanto, vamos ajudar a manter índices aceitáveis. Nos parques o procedimento é o mesmo.

-         Evite levar animais domésticos. É uma gracinha até ele resolver fazer suas necessidades. Passeie com seu animal nas ruas. Saiu com o cachorrinho, leve sempre a pá e o saquinho, afinal, ninguém quer pisar num “prêmio” desses.

-         Ao andar entre os banhistas, evite jogar areia ou água em cima deles. Caminhe com cuidado.

-         Preserve a vegetação local. Não marque os troncos das arvores, não quebre galhos sem necessidade.

Esse manual não para por aqui. Não fui capaz de lembrar de todas as situações e gostaria de ver esse manual constantemente atualizado, quase um wiki. Estão todos livres para comentar e apontar situações, ou até mesmo complementar algo que foi escrito.

Em breve o volume II

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http://www.caelis.blog.br/2010/02/04/manual-pratico-da-boa-convivencia-social/ by Rodrigo Rezende da Silva e Souza is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.

Voltando a falar da lei seca

January 28th, 2010 Rodrigo Souza 31 comments

Logo da Lei Seca modificado

Bom, caros amigos, recentemente tivemos um post sobre a lei seca e felizmente para o blog ele teve uma boa repercussão, com a presença do Carlos Alberto Lopes,  subsecretário do estado e coordenador geral da lei seca participando conosco. O secretário ficou sabendo do texto através de algum colaborador, e interrompeu momentaneamente suas férias, um momento de lazer com seu filho que mora fora do país, para nos responder, mesmo com seu filho pedindo para não responder, dizendo que era besteira dele fazer isso.

Essa visita do secretario gerou uma enorme surpresa para todos nós e gerou um contato entre o blog e o secretário. Depois de alguns e-mails trocados recebemos um convite para conhecê-lo e saber mais de perto como funciona a operação Lei Seca, faremos aqui um resumo do encontro para você leitor do Blog.

Para começar podemos falar de um protesto que tomava conta da entrada do palácio da Guanabara, onde manifestantes protestavam sobre falta de água em mesquita, após essa chegada um pouco conturbada entramos e tivemos uma boa recepção o que nos levou ao prédio anexo, pois o Palácio da Guanabara está em obras. Quando chegamos no andar para que fomos encaminhados, havia uma mesa para a recepcionista mas não havia recepcionista, tivemos que entrar no escritório e com ajuda de uma funcionária, conseguimos achar nosso destino. Após esse pequeno trasntorno, fomos bem recebidos e demos início a reunião. É bom que se diga aqui que foi muito interessante e proveitosa.

Durante a reunião recebemos diversos elogios pelo texto, pelo nosso comprometimento e interesse no projeto que como foi dito no post anterior vem salvando vidas. O motivo desse elogio era em relação à nossa idade, visto que os jovens são responsáveis por diversos acidentes no trânsito envolvendo bebidas. Para o secretário que tem 6 filhos e segundo ele o mesmo acontece com o governador, é de fundamental importância que outros jovens sigam o nosso exemplo e levem a sério a operação, que de certo ponto de vista obteve um sucesso, durante a reunião ele mencionou que o governador de Tocantins esteve presente no RJ pessoalmente com o interesse de implantar a operação em seu estado que atravessa um grave problema com um número elevado de acidentes. Não só ele, mas muitos estados em todo o Brasil estão interessados em implantar o sistema, sinal de que o projeto realmente obteve o sucesso esperado e deve sim ser levado a sério. Nessa reunião recebemos uns dados e divulgaremos agora abaixo:

A Lei Seca é um projeto que funciona pois é feito de maneira correta e por pessoas sérias. Torçamos para que novos projetos como esse sejam criados de maneira correta por pessoas que levem a política a sério, tanto que a estrutura do projeto será exportada para outros projetos do governo do estado, como foi divulgado pelo portal G1 no dia  28 de janeiro.

Um motivação para este post foi um pedido do próprio Carlos Alberto Lopes para divulgarmos o sucesso da operação, e como as coisas boas devem ser divulgadas, o post está escrito como prometemos. Ele nos garantiu que erros de abordagem, como o exemplo descrito no post anterior, não deverão mais acontecer, pois o pilar do treinamento dos agentes é a abordagem cidadã, sempre com respeito e transparência.

Esperamos com isso, colaborar para a conscientização da população. Se beber, nunca dirija.

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Os heróis são imortais?

October 5th, 2009 Rodrigo Souza 7 comments

Olhando notícias corriqueiras, uma me chama a atenção:

“Antonio Banderas desiste de interpretar Ayrton Senna”

Primeiro pensei:

-   Como assim, filme sobre o Senna? Antônio Bandeiras como Senna?”

Fui ler a notícia, e vi que a desistência se deve ao fato de Bandeiras ter 49 anos, e o Senna ter falecido com 34, portanto, ele se acha muito velho para o papel.

Lendo mais, descobri que a Warner está por trás disso e logo chego aos comentários.

Um me chama a atenção.  Alguém pergunta o por que de um filme com Senna, e o que ele tinha feito de demais, já que o Schumacher ganhou muito mais títulos.

Acredito que esse rapaz, ou é muito novo ou não entende de formula 1.

Diferenças básicas entre os dois pilotos.

Senna:

Correu em uma época que havia pouca tecnologia embarcada, as trocas de marchas eram manuais, com um câmbio semelhante aos usados nos carros comuns, ou seja, tinha que fazer curva com uma mão só a 200 km/h. Teve vários adversários geniais em sua época, como Alain Prost, Nigel Mansell, Niki Lauda e até Nelson Piquet e ainda assim foi tricampeão.

Schumacher:

Auge da tecnologia na formula 1. Controle de tração, minucioso trabalho aerodinâmico, câmbio semi-automático, telemetria avançada, onde dos boxes, o engenheiro pode resolver problemas do carro, resumindo, um carro muito mais fácil de guiar, tanto que atualmente as regras proibiram alguns dos itens citados, para dificultar a vida do piloto. Outro fato é que Schumacher e Ferrari reinaram absolutas durante esse tempo, não havia carro ou piloto que conseguissem competir, alem dos bons escudeiros impostos por contrato, Irvine e Barrichelo. Não conto o Massa nessa lista, pois quando ele chegou na Ferrari, foi quase que para substituir o Schumacher. Sem falar que as vezes ele tinha atitudes dignas do Dick Vigarista. É um gênio das pistas e por isso foi heptacampeão.

Apesar de contente com um filme sobre um ídolo que pouco vi, pois nasci em 86 e quando comecei a tomar gosto por assistir F1 foi em meados de 92, dois anos antes de sua morte, eu considero o Senna o maior piloto que vi, e um herói, exemplo de ser humano e de patriotismo. O fato da produção de um filme sobre sua vida, extrapola esse significado de forma mundial, fazendo com que o Senna seja um exemplo de vida seja você um americano, japonês ou alemão. E com isso vem a pergunta. Onde estão os nossos heróis?

Onde estão nossos mitos? Temos alguns poucos, mas o povo brasileiro adora ignora-los, diminuir sua importância. Parece que todo brasileiro é safado, não presta, é ladrão. Não existe valorização do que é feito em nosso país. Nosso patriotismo só existe a cada quatro anos e esporadicamente de dois em dois, contando o intervalo entre olimpíadas e copa do mundo. Temos que aproveitar o momento muito patriótico em que vivemos para alavancar o sentimento de ser brasileiro.

Esse sentimento não é só torcer por nosso país nos esportes. É cobrar dos políticos uma atitude digna, é ser solidário, justo, honesto, é reconhecer quem faz o bem para o país e divulgar a nossa marca no mundo e nesse quesito eu acrescento o Pelé, que é um mito que temos, e o nosso presidente Lula. Ambos apesar das gafes, que só acontecem por serem de origem humilde, são símbolos genuinamente brasileiros, e que deveria ser dado como exemplo por todos nós. Símbolos daquele que não tinha nada e lutou para conseguir alguma coisa na vida. Temos que lembrar também da mãe de três filhos que sai as 5 da manhã para trabalhar, pega três ônibus a cada viagem e ganha um salário mínimo, ou do Zé que trabalha na obra como pedreiro, que veio do nordeste para o sudeste, deixando família, e que mora no morro, ou do rapaz que busca uma formação em nossas escolas públicas, que não dão condições para um aprendizado eficiente, e ele insiste nela, para não ser mais um traficante.

Para esse rapaz que comentou, as coisas não são diferentes. Ou ele esqueceu, ou não sabe o que foi o mito Ayrton Senna, um cara que usava seu dinheiro também para ajudar os outros, vide Instituto Ayrton Senna, um projeto que começou antes de sua morte, e foi deixado como legado de sua vida.

Os heróis morrem duas vezes. Uma de verdade, e outra quando caem no esquecimento. Mas enquanto ainda o temos vivo na memória, temos que usar seu exemplo para tentar perpetuar sua existência, ou quem sabe um dia possamos nos tornar o herói das gerações futuras, nem que seja de apenas uma ou duas pessoas.

Espero que esse filme ajude a não deixar o Senna morrer pela segunda vez.
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Uma ótima boa tarde para vocês…

September 4th, 2009 Rodrigo Souza 6 comments

Era uma quinta feira, e após algumas horas na oficina da equipe de baja da faculdade, estava voltando para casa, e assim que peguei o ônibus na 28 de setembro, reparei num ser que subia pela porta de trás. A aparência num era lá muito agradável, vestia “chinelas” bermuda e camisa.

Sem prestar mais atenção, sentei num banco vazio ao lado de um coroa que carregava bandejas de isopor, daquelas que vem o presunto fatiado que se compra no mercado.

Eis que surge o indivíduo na frente do ônibus e começa a oferecer blisters de chiclete, carregava uma caixinha que parecia que tinha afanado de outro camelô. Após insistentemente tentar vender suas guloseimas, veio com um discurso de indignação com a situação do país e com a falta de oportunidade para um emprego e tal e pedia uma colaboração para vender todos seus chicletes, que dessa forma seria menos um na rua, e com pitadas de pastor evangélico tentou dar seu recado. Pois bem, não vendeu nada.

Seguindo o caminho, na serra Grajaú-Jacarepaguá, eu viajando em meus pensamentos, ouço a célebre frase -Senhoras e senhores passageiros, uma ótima boa tarde para vocês…-  e ai fui reparar quem foi o autor da redundante saudação – é que eu trago aqui…- reparei que se tratava de outro camelô, os famosos “camelô da serra”. Também usava o mesmo estilo do outro, porém bem melhor apresentado com sua camisa pólo da  Lacoste “meide im xáina” provavelmente adquirida na Uruguaiana, e ainda um boné mal colocado na cabeça, que parecia que não cabia, e seu gancho de açougue cheio de saquinhos com as mais diversas opções dos magníficos “passatempo de sua viagem”. Com um discurso mais amigável e podendo atender melhor a demanda de doces dos passageiros, o segundo obteve sucesso vendendo, até onde eu vi, pelo menos 2 pacotes de jujuba de menta, que melhora seu hálito e alivia o pigarro da garganta.

Ambos eram negros se vestiam de forma semelhante, porém  um soube melhor vender seu peixe e conseguir êxito em seu trabalho. Exemplo prático de quão é importante o marketing, seja qual o ramo que se escolha atuar e tudo mais, mas verdade seja dita, já vi muito camelô na serra com camisas de times de futebol, que custam no mínimo uns 140 reais (as originais, é claro), e sempre os que trabalham na serra estão bem vestido.

Isso me deu o que pensar no restante da viagem.

Com a minha eloquência de terceiro grau incompleto e relativamente boa aparência (afirmo sabendo que existe gente mais feia que eu), era capaz de vender bem, e assim, poder vestir uma camisa Lacoste, Elle et Lui e tantas outras. Portanto fica a pergunta: Alguém tem o telefone da associação dos camelôs da serra para eu saber se existe uma vaguinha por lá?

PS: Hoje no caminho de ida para a faculdade, vi novamente o camelô da camisa Lacoste. Não estava com camisa de marca, mas estava de qualquer forma bem vestido e com seu boné vermelho na cabeça.

Quando o vi, ele estava brincando com um celular, tirando ou apenas fingindo tirar fotos de uma moça ao lado. Não deu pra ver muitas coisas, mas fico feliz que é menos um na rua pedindo esmola e roubando, é menos um no morro se drogando ou traficando.
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Os Cocos de Búzios

January 31st, 2009 Leonardo Monteiro 3 comments

Búzios

Nas Férias de Dezembro de 2008 fui para a famosa cidade de Búzios. Esta cidade se tornou famosa depois que, em 1964 uma renomada atriz francesa, Brigitte Bardot,  fez dela  sua cidade favorita para passar suas férias. É conhecida por ser uma cidade frequentada  pela classe média alta e alta do Brasil além de receber centenas de turistas estrangeiros, devido a isto Búzios é uma cidade cara, o que, em geral, afugenta as pessoas de classe social mais baixa.

Chegando lá fui logo para a praia de Geribá, uma das mais badaladas de Búzios. Manhã cedinho, fui de calção novo, especialmente comprado para aquela cidade, afinal de contas a alta sociedade estaria lá. Passando pelo portal de acesso à areia me deparei com um visual lindo, com a maré ainda baixa, o mar ainda muito calmo. A esquerda da praia vi inúmeras gaivotas pousadas na água a beira da areia aguardando as sobras de peixes jogadas por pescadores que tinham acabado de aportar  trazendo peixes frescos para serem comercializados. A praia naquele momento estava limpa e ainda se podia ver um trator repleto de lixo e vários garis deixando o local. Passei um dia maravilhoso, um céu azul contrastado por um sol amarelo brilhante. O calor era forte minimizado pela temperatura baixa da água e pelo vento que soprava ininterruptamente. Tomei lugar numa mesa com guarda-sol, entre as centenas que povoavam a areia da praia e que eram fornecidas pelos restaurantes do local. Ao longo do dia foi só isto, sol, mar, água de coco, cerveja, e outros petiscos e circundado por pessoas utilizando relógios e óculos importados e alguns portando cordões de ouro de algumas centenas de dólares. Senti-me um pouco constrangido por não possuir símbolos que me colocassem ao mesmo nível social daqueles.

Lá pelas tantas, resolvi ir para casa almoçar, pedi a conta ao rapaz do restaurante, e no caminho levei todo o lixo gerado por mim e joguei numa caçamba da prefeitura que estava posicionada no alto da praia. No final da tarde resolvi voltar na praia para curtir o final do dia e ver como seria o por do sol em Búzios. Quando passei pelo portal tive um choque, centenas de cocos, copos descartáveis e guardanapos estavam espalhados pela areia nos  locais antes ocupados pelas mesas e seus frequentadores, só escaparam as latinhas, pois são recolhidas pelos catadores de latas. O visual era completamente diferente daquele visto pela manhã, lembrava bastante um aterro sanitário com cachorros correndo e brincando por entre os cocos em busca de algum resto alimentar.

Isto me fez refletir sobre a sociedade brasileira. Como pessoas da alta sociedade, tão educadas, viajadas e frequentadoras daquela praia podiam largar o lixo gerado por eles no chão, como os donos dos restaurantes, que também são pessoas do mais alto nível, não se preocuparam em recolher todo aquele lixo, pois, afinal de contas foram eles que o produziram, é mais ou menos pensar em ir a um restaurante e chegando lá no final do dia encontrar todos os pratos copos e talheres sujos jogados pelo chão. Também não entendo como o prefeito da cidade não institui uma norma de utilização da areia pelos restaurantes onde cada um teria que recolher o lixo gerado por eles com pena de receber multas pesadas ou até perder a licença, ao invés disto este prefere gastar mais dinheiro contratando vários garis para fazer a limpeza da praia pela manhã, quando ele poderia apenas recolher as caçambas de lixo, o que seria mais rápido e demandaria menos tempo e pessoal.

Cheguei à conclusão que a consciência coletiva em tratar o bem público tem muito pouco a ver com a condição social das pessoas. Tenho fé que um dia, nós brasileiros, teremos esta consciência e chegará o dia em que nossos rios, praias e lagoas estarão despoluídos, nossas ruas limpas e que cada um cuidará do bem público como sendo seu, pois na verdade ele é  nosso, só não conseguimos ainda perceber esta realidade no mundinho  em  que  vivemos.

Edvaldo de Castro

Janeiro 2009
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